Indústria do algodão
- A indústria têxtil deixa de lado a cadeia algodão - uma idéia que não decolou - e toma a dianteira para reverter a crise do setor. Uma das propostas é o contingenciamento na importação. Há dúvidas apenas com relação aos valores a serem contingenciados, ou seja, a relação entre o investimento na produção interna e a entrada do produto importado. Mas o comitê de Algodão da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) já está finalizando uma proposta que visa estimular a produção de algodão no País. Pela proposta, as indústrias pagariam uma contribuição de US$ 0,50 a cada fardo importado (um fardo custa US$ 400,00), e o dinheiro seria destinado à pesquisa de sementes melhoradas. O comitê se reuniu quarta-feira na Abit e chegou a este valor para a contribuição. Segundo o coordenador do comitê, Andrew Macdonald, da Alpargatas/Santista, o documento ainda terá alterações, e na próxima reunião, na primeira quinzena de janeiro, deve sair a proposta final. Ela será apresentada à indústria têxtil e também, de maneira informal, ao governo.
- O cerne da discussão é saber se o referencial para investir na produção interna é realmente a relação do que se importa. Alguns dirigentes industriais acham que este não é um bom parâmetro já que as importações serão altas no próximo ano. As indústrias devem importar 3 milhões de fardos de algodão no primeiro semestre de 97, o que resultaria em US$ 1,5 milhão para serem destinados à pesquisa. A produção de algodão vem caindo ano a ano no Brasil. Na safra 95/96, o País produziu 400 mil toneladas, e a expectativa para 96/97 é de uma produção de 350 mil toneladas, com a redução da área plantada nas principais regiões produtoras.
- Pela proposta do comitê, toda guia de importação de algodão seria registrada na Bolsa de Mercadorias & Futuros, uma forma de evitar que as indústrias deixem de pagar a contribuição. Em contrapartida à contribuição, a indústria quer que o governo isente o setor produtivo de impostos na compra de insumos e colheitadeiras. Hoje, o custo de produção do algodão é alto, pois com a dificuldade de crédito, os pequenos produtores não têm como adquirir colheitadeiras, e a colheita tem de ser feita manualmente.
- O setor algodão enfrenta problemas como baixa produtividade, alto custo de produção e dificuldade de financiamento. Segundo Andrew Macdonald, o Brasil produz hoje 400 quilos/hectare enquanto a Austrália produz 1,6 mil quilos/hectare e EUA 800 quilos. Com recursos, a pesquisa de cultivares melhoradas seria incentivada e os institutos poderiam também avaliar a qualidade das sementes importadas.
- As cooperativas brasileiras estão céticas com relação à idéia das indústrias. Consideram estranho o fato do projeto não contemplar o fator qualidade e características da fibra (densidade, índice microner e uniformidade). Garantem que o fator qualidade só se consegue com a mecanização da colheita e produção em grandes áreas.





