Agência Estado
De São Paulo
A produção industrial brasileira deve crescer pelo menos 2% este ano, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado não seria suficiente para fazer o setor retornar aos níveis anteriores à crise asiática de 1997, mas já indica uma retomada da atividade econômica. ‘‘Essa não é uma estimativa otimista, mas algo plausível’’, afirmou o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales.
O economista revela que a indústria brasileira operou em novembro em nível 2,1% acima da média acumulada em 1999. Mantido este patamar, a indústria fecharia o primeiro trimestre com crescimento em torno de 3,3% sobre o mesmo período do ano passado. ‘‘Os sinais confirmam uma melhora contínua nos indicadores’’, frisa. ‘‘É importante olhar as estatísticas de comércio no Natal para prever como será a recomposição dos estoques na indústria nos primeiros meses deste ano.’’ Sales lembra que em novembro o setor cresceu 4,3% frente ao mesmo período do ano passado e registrou uma queda de apenas 0,1% em relação a outubro. ‘‘A retração é muito pequena, aponta uma estabilidade na produção após três meses de expansão consecutiva’’, explica.
A perspectiva de melhores resultados em 2000 leva em conta, além do efeito estatístico, causado pela base de comparação deprimida, a recuperação do setor de bens de consumo duráveis. O segmento registrou em novembro uma expansão de 11%, bem acima dos 4,3% verificados pela média da indústria frente ao mesmo período do ano passado. O forte crescimento da produção automobilística (36,1%) desencadeou o reaquecimento dos bens de consumo duráveis. ‘‘A melhora nas condições de crédito tem estimulado as vendas nos últimos meses’’, afirma. ‘‘Se o cenário atual de queda de juros permanecer, a indústria deve elevar ainda mais sua produção este ano.’’
A trajetória de recuperação fica clara quando se analisa os dados dos últimos meses. Até julho, os bens de consumo duráveis acumulavam uma retração de 18,3%. O dinamismo da indústria automobilística fez o acumulado até novembro cair para 10,5%. O efeito positivo é sentido também em alguns segmentos de bens intermediários, que servem de matéria-prima e insumo para as montadoras. Sales cita como exemplos o crescimento de 25,9% na produção de autopeças e de 21,5% na de borracha.
O técnico do IBGE acredita que os setores industriais mais voltados para a exportação é que vão apresentar maior dinamismo em 2000. Ele ressalta que as exportações de semimanufaturados, leia-se produtos intermediários, teve um desempenho bem acima da média geral no ano passado. As vendas externas cresceram 8%, enquanto o segmento apresentou uma expansão de 11% no período. ‘‘Com exceção da Argentina, todos os outros parceiros comerciais do Brasil estão se recuperando’’, explica. ‘‘Isso deve ampliar o potencial exportador do País este ano.’’