Indústria deve igualar vendas registradas em 2000
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sábado, 03 de novembro de 2001
Agência Estado<br>De São Paulo 
A indústria já dá sinais consistentes de recuperação da produção, contrariando todas as previsões pessimistas que apontavam para um último trimestre de quedas nos negócios. Fabricantes de produtos eletroeletrônicos, alimentícios, têxteis, embalagens e calçados trabalham a todo vapor com a expectativa de que as vendas neste Natal pelo menos vão se igualar às registradas em 2000, que foram consideradas muito boas. Apesar da surpreendente recuperação neste fim de ano, há consenso entre os empresários que uma retomada efetiva da atividade só ocorrerá mesmo a partir do segundo trimestre de 2002.
Um bom indicador do crescimento da confiança entre os empresários são os pedidos de financiamento para investimentos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com o vice-presidente do BNDES, José Mauro Carneiro da Cunha, até o primeiro semestre a demanda por empréstimos registrava queda de 39% em comparação com igual período do ano passado. A partir de julho, no entanto, essa tendência começou a se inverter. Em setembro, o valor dos pedidos acumulados no ano já chegava a R$ 26,687 bilhões, apenas 12% a menos que o registrado nos nove primeiros meses de 2000.
Carneiro da Cunha acredita que a procura de financiamento para investimentos deve aumentar no último trimestre, podendo ainda superar o total do ano passado. ''O crescimento dos pedidos no segundo semestre tem sido expressivo e indica a confiança do empresariado na retomada dos negócios'', diz o vice-presidente do banco. Os pedidos do setor de alimentos e bebidas, por exemplo, passaram de R$ 1,729 bilhão em 2000 para R$ 1,860 bilhão em 2001 até setembro.
Os fabricantes de equipamentos para transporte também aumentaram bastante os pedidos de financiamento ao BNDES de R$ 115 milhões para R$ 3,520 bilhões.
O setor de embalagens, considerado termômetro da atividade na economia real, já reflete esse movimento de reaquecimento dos negócios. De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Embalagem (Abre), Sérgio Haberfeld, desde maio, quando foi anunciado o racionamento, até agosto, as encomendas caíram acentuadamente. Em setembro, as carteiras de encomendas das indústrias do setor registraram ligeira recuperação e no mês passado já apontavam para uma firme elevação dos pedidos, atingindo níveis registrados no ano passado.
''As empresas superestimaram os estragos da crise energética e os reflexos dos problemas financeiros da Argentina no País e suspenderam as compras. Como a retração não foi tão forte, elas se viram sem estoques e agora estão correndo para comprar'', diz Haberfeld.


