Indústria deve ampliar capacidade instalada em 8%
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2006
Agência Estado 
Rio de Janeiro - O setor industrial brasileiro pretende ampliar em 8% a capacidade instalada em 2006 e projeta uma expansão de 17% até 2008. Os dados fazem parte da Sondagem Industrial-Quesitos Especiais, divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A previsão supera a estimativa do início do ano passado, de 7%. A fundação alerta, contudo, que parte do crescimento previsto para este ano representam adiamentos de investimentos projetados anteriormente para 2005.
''Provavelmente alguns dos investimentos do ano passado foram postergados. Essas previsões não se confirmaram ano passado nesta magnitude'', comentou o coordenador da pesquisa Aloisio Campelo Jr. Dentre os setores, os destaques de ampliação da capacidade ficam por conta dos bens de capitais, que projetam expansões de 11% para este ano e de 26% para o período de 2006 a 2008, seguido dos bens de consumo, que tem uma expectativa de crescimento de 9% e 20% na mesma base de comparação.
De forma geral, Campelo explica que está havendo uma ''retomada gradual de crescimento'', que deve se sustentar nos próximos três anos. Ele cita que já houve algum crescimento da massa salarial no ano passado e que as exportações ainda permanecem em níveis elevados.
As maiores estimativas de aumento de capacidade para 2006 foram dos seguintes segmentos: material elétrico e de comunicações (22%), farmacêutico (17%), mecânica (11%) e química (9%). No grupo de materiais elétricos e de comunicação, que já projetava avanço de 17% na produção ano passado, o destaque é a indústria de telefones celulares.
Nas projeções para o período de 2006 a 2008, houve recuo de 19% para 17% nas previsões de expansão da capacidade. Ainda assim, a FGV avalia que o resultado é compatível com o crescimento econômico.
A crise política já surge como um dos três principais fatores limitadores ao crescimento sustentado da economia. O ambiente político interno foi citado por 7% das 1.003 indústrias ouvidas como um limitador potencial ao crescimento da economia, atrás de quesitos como a carga tributária (43%) e juros altos (33%). Enquanto a carga tributária perdeu peso relativo (foi citada por 55% das empresas ano passado), a referência aos juros aumentou em catorze pontos porcentuais na comparação com 2005. Segundo Campelo Jr, as respostas dos empresários foram influenciadas pelo aprofundamento da crise política.


