Apesar de os anos 90 terem sido o período de maior crescimento da indústria nacional, a taxa de crescimento da produtividade veio registrando queda nos últimos anos da década. Os dados foram divulgados ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
A Confederação destaca que a produtividade na indústria brasileira na década de 90 cresceu a uma taxa média anual de 8,4%. No entanto, nos últimos anos, essa variação tem se reduzido. O pico do crescimento da indústria foi registrado em 1996, quando chegou aos 15%. Em 1998, a taxa já se encontrava perto dos 8% anuais e em 2000 ficou abaixo dos 6%.
Segundo a CNI, as expectativas para a próxima década também preocupam ''à medida que as reformas estruturais vêm sendo adiadas e desaceleradas''. Além disso, a produtividade da mão-de-obra mostrou tendência decrescente nos últimos anos, de acordo com a entidade.
Para a CNI, o grande desafio enfrentado pelo País encontra-se exatamente na criação de um ambiente econômico, institucional e político favorável ao investimento e à inovação. ''Ou seja, ao aumento dos fatores de produção e, sobretudo, à manutenção do processo de aumento da produtividade'', diz.
A instituição ressalta em seu relatório o fato de o nível educacional da população brasileira continuar muito abaixo do encontrado em países desenvolvidos, o que dificulta o uso e a criação de novas tecnologias. O atual sistema tributário também é colocado como um dos inibidores dos investimentos no País.


A abertura comercial brasileira, iniciada no início da década de 90, foi o principal responsável pelos ganhos de produtividade que a indústria registrou na década. Segundo a análise da CNI, a indústria brasileira registrou, nos anos 90, ganhos elevados de produtividade, impulsionando a retomada do crescimento da renda per capita nacional. Em seu boletim, a CNI afirma que a taxa de crescimento médio anual da produtividade da mão-de-obra industrial entre os anos de 1991 e 2000 ficou em 8,1%, abaixo apenas da média registrada no período entre 1996 e 2000, que foi de 9,0%, a maior dos últimos 30 anos. Na década anterior, a média havia ficado em 1,7%.

A CNI credita o aumento da produtividade nos anos 90 ao movimento de modernização do parque fabril nacional, de treinamento de funcionários, de reorganização gerencial e de racionalização do processo produtivo, resultante da concorrência de produtos estrangeiros que passaram a ingressar no País com a abertura.
O boletim aponta que, em termos setoriais, a indústria extrativa mineral (média anual de 1991 a 2000 de 15,4%) e os setores de material de transporte (9,1%), têxtil (9,0%),material elétrico (8,9%), bebidas (8,6%), mecânica (8,3%) e borracha da indústria de transformação (8,1%) são os que apresentaram as maiores taxas de crescimento de produtividade, acima da média da indústria como um todo.
Comparando a evolução da produtividade industrial brasileira com a de outros países, a CNI concluiu que apenas a Coréia do Sul cresceu mais que o Brasil no período, em 10,4%. Entre os países desenvolvidos, a produtividade aumentou, no período, cerca de 2,9% ao ano, alcançando 4,5% ao ano na Suécia e 4,1% nos Estados Unidos. Na Argentina, o aumento ficou na casa dos 6,3% ao ano, enquanto no México a produtividade cresceu cerca de 5,5%.
Segundo o boletim, o aumento da produtividade também foi o principal determinante do crescimento PIB e, por consequência, da renda per capita brasileira nos anos 90. Em média, o PIB per capita cresceu 1,01% ao ano, na década, desempenho inferior ao apresentado nas décadas de 50, 60 e 70, mas superior ao da década de 80, quando a renda per capita decresceu a uma taxa média anual de 0,33%.

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