Indústria demite mais de 11 mil em SP
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Agência Estado 
O nível de emprego da indústria paulista em fevereiro caiu 0,71%, o que significa a perda de aproximadamente 11.575 postos de trabalho. No acumulado do ano, o nível de emprego já caiu 1,74%, correspondendo a 28.519 vagas eliminadas. Em 12 meses, a queda é de 7,20%, representando 121.376 postos de trabalho. Desde julho de 94, início do real, o emprego da indústria paulista caiu 24,79%, com um saldo de 535.340 demissões.
O levantamento foi divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Os setores que mais demitiram foram os de Esquadrias e Construções Metálicas (-4,42%) e o de Calçados (-3,13%).
Os dados de fevereiro indicam que o volume de demissões diminuiu pelo terceiro mês consecutivo, pois em janeiro a taxa foi de -1,03% e em dezembro do ano passado de -1,12%. Mas, de acordo com a diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Clarice Seibel, esta tendência deve ser interrompida em março. Ela ressaltou que o impacto da desvalorização cambial ocorrida em janeiro vai se refletir neste mês porque até agora as empresas de uma forma geral adiaram a decisão de dispensar empregados à espera de uma definição mais clara da situação econômica brasileira. Além disso, fevereiro é tradicionalmente um mês atípico em função de um menor número de dias úteis, o que reflete no balanço final do número de demissões.
Clarice Seibel destacou ainda que, embora não haja perspectivas de reversão do quadro de contratações, pode-se observar uma amortização no ritmo de dispensas, após os altos índices dos meses seguintes à crise asiática, culminando com 27.856 demissões em janeiro de 1998.
Da mesma forma, explica a diretora da Fiesp, tem sido verificada uma amortização na retomada das contratações pelas empresas.
Na avaliação da Fiesp, o recente acordo para redução do IPI dos automóveis não interferirá de forma relevante no nível de emprego de março de toda indústria paulista, apesar de já ter sido observada uma elevação das vendas, principalmente no setor de autopeças.
Para Clarice Seibel, o acordo com o FMI anunciado esta semana é uma indicação positiva para a retomada da economia. A fixação do superávit da balança comercial em US$ 11 bilhões pressupõe, na sua opinião, um estímulo às exportações. Ela defende a criação de uma linha de financiamento com esta finalidade.


