Indústria de veículos reduz empregos
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sexta-feira, 05 de dezembro de 2014
Cleide Silva<br> Agência Estado 
São Paulo - Pelo 13º mês seguido a indústria automobilística reduziu seu quadro de pessoal. O setor encerrou novembro com 146,2 mil trabalhadores, 846 a menos que no mês anterior. É o menor contingente desde dezembro de 2011, quando o setor empregava 144,6 mil pessoas. Só este ano foram fechadas 10,8 mil vagas.
A redução da mão de obra é resultado da desaceleração da produção, que, neste ano, acumula queda de 15,5% em relação a 2013, para 2,942 milhões de veículos. É o mais baixo volume para o período desde 2009, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
As vendas acumuladas no ano, de 3,127 milhões de unidades, também são as piores para o período em cinco anos. Paralelamente, as exportações caíram 40,6%, para 310,7 mil unidades, puxadas por uma baixa de 45% nas vendas para a Argentina, maior cliente brasileiro.
O presidente da Anfavea, Luiz Moan, ressalta que 2014 foi um ano "extremamente difícil", com ciclo de baixa. "Tivemos menos dias úteis por causa da Copa, teve eleições, a confiança do consumidor ficou comprometida e o crédito foi restrito." Ele ressalta tratar-se de um cenário que não se repetirá em 2015, por isso enxerga o próximo ano com mais otimismo.
A indústria de material de transporte, que inclui as montadoras de veículos, de caminhões, ônibus e o setor de autopeças demitiu 3.245 funcionários de janeiro a outubro deste ano no Paraná. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Neste ano, o setor também utilizou recursos como layoff quando o funcionário é afastado por um tempo da empresa e recebe treinamento neste período como alternativa para driblar a crise no setor mas, mesmo assim, as demissões ocorreram em um número muito elevado. O levantamento do Sindicato dos Metalúrgicos, que considera apenas as montadoras sem as indústrias de autopeças, aponta para 1.438 demissões no Estado de janeiro a outubro.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fabiano Camargo da Silva, lembrou que o setor foi muito estimulado com IPI reduzido e com o estímulo ao crédito. Segundo ele, entre 2003 e 2013, a produção de veículos cresceu cerca de 7% a 8% ao ano no País. Silva lembrou que o mercado de veículos está saturado. Além disso, o segmento sofre com a concorrência com os importados. "As pessoas estão mudando também o conceito e preferindo carros seminovos ao invés do zero quilômetro. Com isso, é possível comprar um carro melhor e mais equipado", disse. (Com Andréa Bertoldi/Reportagem Local)


