Indústria de transformação é mais afetada
Competição O diagnóstico elaborado pelo MICT abrange 18 setores: bens de capital, química, siderurgia, indústria naval, automotivo, autopeças, tratores e máquinas agrícolas, fundição, indústria do alumínio, eletroeletrônicos, informática, papel e celulose, indústria da construção, têxtil e vestuário, couro e calçados, moveleiro, brinquedos e pesca.
Entre esses segmentos, a indústria de transformação é a mais afetada pelas reformas que o País vem realizando, seja por estar mais sujeita à competição externa ou porque o processo de desestatização e desregulamentação avançou mais rápido nessa área. Para avaliar a indústria de transformação, o estudo classificou o seu desempenho em três categorias, integradas por diferentes grupos de atividades: alto, baixo e intermediário.
A categoria de alto desempenho, que também apresentou a melhor performance com relação à exportações e menor número de importações, é formada por material elétrico e comunicações, produtos de matérias plásticas, bebidas, mobiliário, material de transporte e produtos alimentares, participou com 36,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do segmento de transformação e contribuíram com 74,6% do seu crescimento em 1996.
Em segundo lugar, estão os de baixo desempenho, com taxas de crescimento abaixo da média, formado por papel e papelão, farmacêutica, borracha, mecânica, madeira, fumo, têxtil, calçados e artefatos de tecidos e couros e peles. Esse grupo contribuiu negativamente com 5,8% do crescimento do setor de transformação, embora tenha uma participação nos eu total de 32,1%.
Com intermediário desempenho estão minerais não-metálicos, perfumaria, sabões e velas, química e metalurgia. Esse segmento, que participava com 31,3% do PIB da indústria, manteve esse número praticamente inalterado e contribuiu para a variação negativa do saldo da balança comercial com 21%.
Concentração Esses dados, na análise dos técnicos do MICT, evidenciam que o crescimento da produção esteve concentrado em um número reduzido de setores que, no conjunto, não são os que mais absorvem mão-de-obra. O número de pessoas ocupadas na indústria foi reduzido em 450 mil entre 1990 e 1995, diante de um aumento de 7,5 milhões no conjunto da economia. Nesse mesmo período, a força de trabalho total aumentou em 9,7 milhões de pessoas, provocando o aumento do desemprego aberto em 2,2 milhões.
O pouco dinamismo da produção industrial, segundo o diagnóstico do MICT, é decorrente da incapacidade do setor em expandir as exportações em ritmo compatível com a necessidade das importações de produtos industriais, criadas pelo novo padrão de desenvolvimento. O traço marcante desse padrão, afirma o estudo, é a substituição dos insumos nacionais pelos importados. Um exemplo disso, é que a importação de insumos no total das importações, representou 47% em 1996.
Nesse sentido, o documento aponta para a necessidade de desenvolver ações para apoiar a capacitação tecnológica das empresas. Assim, elas poderiam desenvolver novos e mais sofisticados produtos, detentores de maior valor agregado e competitividade no mercado internacional.

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