Rio de Janeiro - A indústria em São Paulo, estado que responde por cerca de 40% da produção nacional, apresentou em setembro o melhor resultado do ano, com expansão de 5,7% na comparação com o mesmo mês de 2002. O bom desempenho foi puxado por segmentos importantes na indústria da região, como material de transporte e química. O resultado teve forte impacto na recuperação do mercado interno e foi melhor do que o já divulgado na média nacional (4,2%).
Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa revelou que a produção industrial cresceu em 11 das 12 regiões analisadas em setembro, confirmando a recuperação do setor revelada pelos dados da média nacional divulgados anteriormente. Em agosto, apenas cinco regiões tinham apresentado crescimento ante igual mês do ano passado. A pesquisa não apresenta comparações ante mês anterior, o que exigiria dessazonalização (anulação dos efeitos específicos de cada mês) dos dados.
''Houve uma reação maior da indústria paulista, impulsionado pelo mercado doméstico'', disse o economista da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo. Em agosto, a expansão em São Paulo havia sido menos intensa, de 1,02%.
Os setores que tiveram maior impacto positivo sobre a produção paulista foram químico (11,8%), material elétrico e de comunicações (23,2%), material de transporte (6,2%), produtos alimentares (4,9%) e mecânico (4,1%).
Segundo Macedo, mesmo que alguns desses setores, como material de transporte (que inclui automóveis) e alimentos tenham relação também com a agroindústria e exportações, que sustentaram a indústria brasileira nos oito primeiros meses do ano, já é nítida a recuperação do mercado interno. Ele explicou que todos esses segmentos têm forte vinculação com a demanda doméstica.
Nas demais regiões, o economista avalia que os resultados confirmam que houve uma maior distribuição na recuperação da indústria. ''Mais locais apresentaram crescimento do que em agosto e melhoraram setores voltados ao mercado interno que apresentavam desempenho desfavorável em todo o País, como material elétrico e de comunicações'', disse.
O melhor desempenho foi registrado, mais uma vez, no Espírito Santo (16,2%), em consequência do crescimento da produção de petróleo e da exportação de celulose da região. No Rio de Janeiro, a queda de 3,4% foi provocada especialmente, segundo Macedo, pela paralisação técnica de uma plataforma de petróleo. Essa parada diminuiu a produção da indústria extrativa mineral (-1,7%), que tem forte peso no Estado.
Nas demais regiões houve expansão: Pernambuco (15,3%), Bahia (9,2%), Rio Grande do Sul (8,4%), Nordeste (5,6%), Sul (3,8%), Minas Gerais (2,6%), Santa Catarina (1,8%), Paraná (1,7%) e Ceará (1,4%).

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