O número de vagas fechadas pela indústria de São Paulo no primeiro bimestre muito mais do que dobrou em relação ao mesmo período do ano passado. A indústria paulista fechou 40.473 postos de trabalho até fevereiro, 161% mais do que no período comparável. Os números divulgados ontem pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) revelam que este é o segundo pior início de ano para o emprego industrial desde o começo do Real.
A indústria paulista fechou 12.617 postos de trabalho em fevereiro, o que significou retração de 0,72% no nível de emprego industrial em relação ao mês anterior. O resultado de fevereiro soma-se ao desempenho de janeiro, que concentrou o fechamento de 27.856 postos de trabalho.
O pior início de ano para o emprego industrial desde o Plano Real ocorreu em 1996, quando 42.138 postos de trabalho foram perdidos nas indústrias paulistas.
Desde a alta dos juros de outubro do ano passado, motivada pela crise asiática, o nível de emprego industrial em São Paulo vem caindo acentuadamente. A indústria vinha perdendo em 1997, até outubro, 0,5% do nível de emprego a cada mês. Após a crise asiática, que obrigou o governo a praticamente dobrar os juros básicos da economia, esse perda subiu para 0,9% (novembro), 1,06% (dezembro) e 1,56% (janeiro). Em fevereiro, caiu para 0,72%, mas ainda está acima da média de antes da alta dos juros.
‘‘A queda progressiva dos juros é positiva, mas as taxas ainda estão em patamares altos para a indústria e os consumidores , afirmou Carlos Roberto Liboni, diretor da Fiesp responsável pela pesquisa sobre o emprego industrial.
Segundo ele, a diminuição no ritmo do fechamento de vagas em fevereiro pode ser reflexo do menor número de dias úteis e de um aumento da atividade industrial.
A indústria paulista pode fechar mais 20 mil postos de trabalho em março, segundo previsão da Fiesp. ‘‘O aspecto conjuntural, das altas taxas de juros, é o grande culpado pelo atual fechamento de vagas na indústria , avaliou Liboni.
Segundo ele, mesmo que a atividade econômica cresça, não há garantias de que o nível de emprego aumente na mesma proporção. Caso a previsão da Fiesp se confirme, o nível de emprego industrial no primeiro trimestre de 98 fechará o período com 60 mil vagas a menos.
Desde o início do Plano Real, a indústria paulista fechou 413.964 postos de trabalho, o que representa 19,16% do total de vagas na época.

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