Arquivo FolhaDESABAFOCoimbra disse que falta de solução para o solúvel seria falta de competência de todo setor cafeeiro O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem um programa de incentivo às exportações de café solúvel. O programa prevê a realização de leilões para venda de café dos estoques governamentais exclusivamente para as indústrias interessadas em processar o café para exportação de solúvel. Serão leiloadas até 770 mil sacas nesses leilões específicos, sendo 70 mil a cada mês, informou Gerardo Fontelles, assessor especial do ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Haverá facilidade para o pagamento da matéria-prima adquirida desta forma. O produto poderá ser pago no prazo de até três anos, sendo 35% do valor pagos ao final do primeiro ano, mais 35% ao final do segundo ano e os 30% restantes ao final de três anos. Os juros serão de 3% ao ano mais a Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP). Os leilões específicos serão realizados a partir de setembro. Paralelamente, o governo continuará a fazer os leilões mensais de seus estoques de café que já vinha fazendo.
Fontelles explicou que as indústrias de café solúvel estão enfrentando problemas de perda de competitividade no exterior devido justamente ao preço da matéria-prima. As vendas de solúvel para o mercado russo, por exemplo, chegaram a cair 50% nos primeiros seis meses deste ano em comparação a igual período do ano passado.
Fontelles disse ainda que a estimativa inicial era de que a receita de exportação de café solúvel chegasse a US$ 500 milhões em 1997, o que, no entanto, dificilmente será atingido por causa da perda de mercado já verificada. Com o programa, tenta-se atingir essa meta no ano que vem.
Repercussão A decisão do Conselho Monetário Nacional, de autorizar leilões exclusivos dos estoques oficiais para a indústria de solúvel, desagradou integrantes da iniciativa privada do Conselho Deliberativo da Política de Café. Metade dos integrantes do CDPC, presidido pelo ministro Francisco Dornelles (Indústria e Comércio), são indicados pelo governo federal e os outros 50%, por entidades do setor privado.
Representantes da produção, exportação e torrefação reclamaram que não foram consultados sobre o assunto. ‘‘Que eu saiba essa proposta de leilões exclusivos para o solúvel não passou pelo CDPC nem informalmente’’, disse Oswaldo Aranha Neto, presidente da Febec, federação dos exportadores. ‘‘Por que o leilão será segmentado?’, questionou Américo Sato, vice-presidente da Abic, associação das torrefadoras. Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café, entidade que reúne as cooperativas, disse que preferiria a participação da indústria do solúvel em leilões universais, com os outros setores. ‘‘O leilão exclusivo é meio complexo, porque são poucas empresas.’ Há atualmente 11 indústrias de solúvel no País. As exportadoras são 140 e as torrefadoras, cerca de 1.700.
‘‘Seria um atestado de incompetência de todo o setor cafeeiro se não houvesse uma solução para o solúvel, com esse estoque de 12 milhões de sacas’’, afirmou Sérgio Coimbra, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel. Sem os leilões, as empresas estavam ameaçando recorrer ao ‘‘drawback’’ - importar matéria-prima para reexportar o produto acabado. A opção desagradava o governo por embutir perda de receita cambial.

mockup