Indústria de soja estende moratória por mais um ano
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terça-feira, 28 de julho de 2009
Célia Froufe<br> Agência Estado 
Brasília - A indústria da soja anunciou ontem que vai estender por mais um ano a moratória do setor. Com isso, é reafirmado o compromisso de não comprar o grão plantado em áreas desmatadas após julho de 2006, quando foi fechado o primeiro acordo. O documento foi assinado pelos representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). Também contou com a rubrica do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc e do coordenador do Greenpeace, Paulo Adário.
O Ministério integrou-se ao acordo no ano passado, pois a região da Amazônia é considerada estratégica para o Meio Ambiente, comentou o ministro. De acordo com ele, ao mesmo tempo em que os compradores do produto se comprometem a não adquirir soja de áreas desmatadas após o período acordado, cabe ao ministério ações específicas de combate ao desmatamento, como o corte de crédito para a produção ilegal, a formulação do decreto de crimes ambientais e a união de trabalho com outros órgãos do governo, como a polícia federal e Ministério da Justiça.
Além de termos um caráter mais repressivo, apresentamos também alternativas, disse o ministro, referindo-se ao apoio à piscicultura, manejo florestal e regularização de terras. A soja deixou de ser uma dor de cabeça, afirmou. Questionado por jornalistas sobre qual seria a grande preocupação do Meio Ambiente neste momento, Minc não titubeou: A pecuária.
Demais setores
Durante a solenidade, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou que quer estender o acordo com a indústria da soja para outros segmentos. Estamos trabalhando pactos semelhantes com outros setores produtivos, afirmou durante o evento de comemoração do terceiro ano da moratória da soja, realizado em Brasília. Vamos usar a metodologia aprendida com a soja para os demais segmentos, continuou.
Uma das áreas em que já há andamento das discussões, de acordo com Minc, é o de exportadores de madeira. O compromisso dos exportadores é o de adquirir madeira de área que não tenha sido desmatada. Para isso, o governo incentivará a oferta de madeira legal. Já assinamos o protocolo verde com seis bancos públicos e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Eles se comprometeram a não financiar projetos em áreas de desmatamento, lembrou o ministro. Com a soja, não há mais problema, agora estamos fazendo valer o cumpra-se com os outros segmentos.
A pecuária é o grande problema do Ministério do Meio Ambiente, segundo explicou Minc. A atividade é mais complexa, admitiu ele, porque há movimentação da criação, ao contrário do que ocorre com os vegetais, como a soja. Isso dificultará o monitoramento por satélite, como é feito hoje para os cultivos. O rastreamento do gado é mais complexo, pois ele nasce em um lugar, engorda no outro e é vendido em outro ainda, explicou.


