A maioria das empresas brasileiras de software está despreparada para enfrentar a concorrência estrangeira, o que poderá colocar o Brasil em uma posição secundária na corrida tecnológica dos próximos anos. Muito mais do que programas de computadores, os softwares são o principal insumo da chamada Nova Economia dos século 21, com aplicação, por exemplo, em setores como telecomunicações, energia, agricultura e automação bancária. Além disso, sem a produção local desenvolvida, poderá haver um impacto negativo na balança comercial brasileira.
‘‘Caso este mercado não se desenvolva, corremos o risco de ser um país de segunda linha no futuro’’, afirma o presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Software e Serviços de Informática (Assespro), Leonardo Humberto Bucher. Um levantamento feito pelo Ministério da Ciência e Tecnologia sobre a qualidade do software brasileiro em 1999 mostra que mais de 60% das 2,5 mil empresas desconhecem normas de qualidade de produtos e processos de fabricação e 44% não registram os direitos autorais. A perda de competitividade diante dos produtos internacionais fará com que o peso da remessa de direitos autorais para o exterior seja cada vez maior em relação ao mercado brasileiro de software.
É o que mostra uma simulação feita pela Sociedade Brasileira para Promoção da Exportação de Software (Softex). Da projeção de US$ 5,1 bilhões que representará a comercialização de software no País este ano, deverão ser mandados US$ 1,2 bilhão para o exterior a títulos de remessa de direito autoral – ou seja, 24% do total. Este valor é 1.566% maior do que os US$ 72 milhões mandados para fora em 1993.
A simulação da Softex aponta que, em 2005, o setor estará movimentando US$ 15,3 bilhões, dos quais US$ 7,2 bilhões serão enviados para o exterior. Essa simulação, que utiliza dados atuais e históricos como parâmetros, prevê que as exportações (em recebimento de direitos autorais) deverão somar US$ 1 bilhão em cinco anos. Assim, a balança comercial nesta área estará negativa em US$ 6,2 bilhões, e a situação poderá se agravar com o tempo. De acordo com esse levantamento, em 2010, o saldo poderá ficar negativo em US$ 33,2 bilhões, pois prevê-se que, dos US$ 45,9 bilhões que serão movimentados no setor, deverão ser remetidos para o exterior US$ 43,3 bilhões, 94% do total. As exportações previstas podem chegar a apenas US$ 10 bilhões em 10 anos.
‘‘Esta é uma simulação, que pode ou não acontecer, mas, para evitar que isso aconteça, o governo precisa fazer algo’’, ressalta o presidente da Softex, Kival Chaves Weber. ‘‘É preciso uma política inovadora para resultar em vantagens competitivas que ajudem o Brasil a ingressar na nova economia’’, disse Weber. Ele ressalta que a indústria nacional tem demonstrado vitalidade, o que não existe em outros países latinos. ‘‘O mercado nacional de software não cresce o suficiente e poderá ser esmagado pela concorrência internacional’’, admite o presidente da Assespro. As exportações este ano não devem passar de US$ 100 milhões.

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