Indústria de roupas sofre para repassar custos nos produtos
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quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Fábio Galiotto <br> Reportagem Local 
As indústrias têxtil e de confecções estão entre as que mais contribuem neste ano para o controle inflacionário do Índice de Preço ao Produtor (IPP), principalmente porque mal conseguem crescer desde 2010. Os setores empregam juntos quase 90 mil pessoas, segundo números da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), atrás apenas do segmento de alimentação. Mesmo assim, enfrentam dificuldades com a competitividade do mercado asiático e cobram incentivos do governo semelhantes aos dados à indústria automobilística.
O IPP do setor têxtil foi de 2,71% e o de confecções de 5,92% no acumulado do ano até setembro, conforme o último balanço do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice mede a mudança média dos preços de venda recebidos pelos produtores, para sinalizar as tendências inflacionárias do País. A média de toda a indústria de transformação é de 6,35% nos primeiros nove meses do ano, o que mostra a defasagem dos preços dos dois segmentos.
Presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário (Sindivest) de Curitiba, Luciana Bechara afirma que o IPP mostra como a margem de lucro das empresas tem sido ''comida'' em 2012. ''Tivemos reajuste de 8% nos salários, mais o de energia elétrica, e o preço do que produzimos não acompanha'', avalia.
O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), afirma que o problema é a concorrência dos produtos asiáticos, principalmente dos chineses. ''Se o produtor aumenta muito o preço, perde mercado para a Ásia'', diz.
Como resultado, as empresas brasileiras ficam sem capacidade de investimento e de desenvolvimento de novos produtos, o que mina o setor. Luciana conta que a indústria acaba por pegar empréstimos para pagar encargos trabalhistas, fica endividada e vê os lucros nas mãos dos bancos.
Para Zurcher, os problemas só não são maiores porque as fábricas de vestuário levam pequena vantagem sobre as têxteis. ''A confecção consegue diferenciação de produtos por meio da moda, para conseguir competir. Mas no caso do setor têxtil, os tecidos são praticamente commodities porque não dá para se diferenciar muito do que vem de fora'', diz.
Segundo ele, o Paraná tem se destacado na criação de moda, mas isso não invalida o fato de o setor estar pressionado por não conseguir repassar os reajustes de custo.
Recuperação
Zurcher diz que a indústria do vestuário do Paraná tem resultado 18% melhor do que no ano passado e a têxtil, 16% maior. Porém, não é possível falar em crescimento. ''É uma recuperação, porque em 2011 o setor têxtil caiu 36,72% diante de 2010'', conta o economista.
Luciana afirma que não sentiu, no mercado paranaense, uma mudança muito grande sobre 2011. ''No ano passado foi pior porque entraram muitos importados no Brasil, o que dificultou. Com o dólar mais caro neste ano, a concorrência diminuiu um pouco.''
A presidente do Sindivest conta que grandes redes de comércio varejista adiaram pedidos feitos anteriormente. ''Se isso ocorre é porque os produtos não giram na loja.''



