Indústria de rações prevê alta na produção
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segunda-feira, 19 de setembro de 2005
Venilson Ferreira<br> Agência Estado 
São Paulo - A indústria de ração trabalha com a perspectiva de crescimento de 8,65% na produção neste ano, que deve atingir 47,2 milhões de toneladas, ante as 43,4 milhões produzidas no ano passado. Os dados são do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) e incluem rações balanceadas, alimentos para animais de estimação (pet food), premix, suplemento mineral e suprimentos.
No primeiro semestre o Sindirações previa a produção de 46,9 milhões de toneladas de rações. A entidade calcula que o setor deverá demandar neste ano 28,381 milhões de toneladas de milho e 9,417 milhões de toneladas de farelo de soja.
A avicultura de corte é o principal setor consumidor de rações, absorvendo 56,5% da produção. Segundo o Sindirações, a produção destinada à avicultura deve atingir 26,6 milhões de toneladas e crescer 9% em relação às 24,5 milhões de toneladas produzidas no ano passado. O consumo da avicultura de corte absorve por volta de 48% da produção (22,7 milhões de toneladas) e a de postura, 8% (3,9 milhões de toneladas).
Outros dois segmentos de destaque são a suinocultura e a pecuária, que respondem, respectivamente, por 26% e 12% do consumo. A produção destinada à criação de suínos está estimada pelo Sindirações em 12,4 milhões de toneladas e deve crescer 7,3% em relação ao ano passado. O consumo da pecuária deve aumentar 6,7% neste ano, de 5,1 milhões de toneladas no ano passado para 5,5 milhões de toneladas neste ano. O Sindirações prevê aumento de 9,7% no consumo da pecuária de corte (para 1,5 milhão de toneladas) e de 5,5% na pecuária leiteira (para 3,99 milhões de toneladas).
Mario Sergio Cutait, presidente do Sindirações, atribui o crescimento, em grande parte, à alta das exportações de produtos brasileiros de origem animal. Entre janeiro e julho de 2005, o comércio de carne suína para o exterior aumentou 25%, enquanto a venda de carne de frango subiu 14%. ''Desde o ano passado, o Brasil também deixou de importar para exportar leite. Nos últimos seis meses, grande parte da produção do País foi destinada ao consumo externo'', conta João Prior, secretário executivo do Sindirações.
Outro fator apontado pela entidade é o consumo doméstico, que manteve o crescimento previsto de 5% no primeiro semestre de 2005. Este aumento nos mercados interno e externo resultou na expansão dos plantéis de aves, suínos e bovinos, e, consequentemente, em uma maior demanda por alimentos animais.
Cutait diz que o desempenho do setor poderia ter sido ainda melhor, não fosse a elevada carga tributária sobre os produtos de alimentação animal - que chega a 24%. Desde janeiro a situação foi agravada pelo acréscimo do PIS e Cofins aos impostos que incidem na comercialização de rações. ''A alta taxa que os produtores têm de pagar ao governo atrapalha o crescimento da indústria. Mas estamos em negociações com o Ministério da Agricultura para reverter esse quadro'', afirma Cutait.


