Curitiba - A crise na indústria de plástico se agravou. Pelo terceiro mês consecutivo, as indústrias estão sendo informadas que o polietileno, principal insumo do setor, sofreu um novo reajuste que varia de 8% a 12%, praticado desdo o último dia 1º. Com isso o aumento acumulado já é de 45,6% este ano. Apenas sete petroquímicas dominam o mercado e são as fornecedores das indústrias. De acordo com o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Paraná, Moacir Moura, elas optaram por exportar o insumo deixando o mercado interno à míngua.
A crise foi desencadeada em janeiro, quando foi comunicada a primeira alta de 15% para o polietileno. No mês seguinte houve novo reajuste, de 20%. De acordo com Moura, toda a indústria que trabalha com material plástico está sendo atingida, principalmente a indústria de alimentos que utiliza muitas embalagens plastificadas e também a indústria automotiva, que utiliza 120 quilos de plástico, em média, na fabricação de um veículo.
Segundo Moura, a situação é dramática principalmente entre as pequenas e médias empresas que não têm poder para negociar com as petroquímicas. De outro lado, a dificuldade é repassar esses reajustes porque o mercado não está aceitando, disse o empresário Mário Dibas, da empresa Diplast, de Curitiba.
Além da dificuldade de negociar com os fornecedores, que não estão recuando na concessão de descontos, as pequenas e médias indústrias paranaenses não conseguem competir com as grandes indústrias paulistas. De acordo com o empresário, elas conseguiram se estocar e estão praticando um preço médio que minimiza o percentual dos repasses, explicou.
Segundo Dibas, este ano as petroquímicas ampliaram suas exportações de polietileno para 40% da produção. Com isso, elevaram o preço do insumo de R$ 2,6 mil a tonelada para R$ 3,7 mil a tonelada, valor que está inviabilizando as indústrias, acentuou.
Como consequência, duas indústrias de material plástico em sede em Curitiba simplesmente fecharam suas portas. Outras estão optando por dar férias coletivas aos empregados, artifício anterior às demissões, avisou Dibas.
O pólo industrial de embalagens e produtos plásticos no Paraná ganhou força nos últimos dez anos. As 390 fábricas estão espalhadas por várias regiões do Estado. Elas são responsáveis pela geração de 15 mil empregos diretos. Fabricam 300 mil toneladas de produtos por ano, desde sacolas personalizadas, filmes técnicos, peças automotivas, até utilidades domésticas dos mais variados modelos. Os produtos são distribuídos para todo o Brasil e parte é exportada para os Estados Unidos e Europa.

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