Marcos NegriniDevagarNo varejo, vendas são tímidas em Maringá: aposta é no dia das MãesAs indústrias do vestuário de Maringá, um dos principais pólos de confecções do Estado, já registram a venda de artigos de inverno pelo menos 25% superior ao verificado no mesmo período do ano passado. Nos centros atacadistas, que abastecem lojistas de todo Centro-Sul do País, o crescimento na procura por artigos de frio já chega a 40% e a tendência é de aumento.
No comércio varejista, a reação nas vendas ainda é tímida. A expectativa dos empresários é que, com a chegada do frio, a previsão de inverno rigoroso e a proximidade do Dia das Mães, a comercialização melhore. ‘‘Por enquanto não temos como medir um aumento nas vendas, mas existe muito otimismo. Tanto que os lojistas já estão com o estoque de inverno pronto’’, diz o diretor de assuntos para o comércio da Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim), Rubens Abrão.
O presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Maringá (Sindivest), Antonio Recco, explica que, além da previsão de um inverno mais rigoroso, outros fatores têm garantido o aumento nas vendas. ‘‘Os preços estão iguais ou menores que o ano passado e os lojistas estavam sem estoque’’. Ele lembra que o inverno de 1995 foi um fracasso para o setor, deixando os comerciantes mais cautelosos no ano passado, quando as vendas foram boas. ‘‘Agora todo mundo está se prevenindo e fazendo estoque’’, afirma Recco.
Ele explica ainda que, com a redução no volume de importação de roupas e tecidos, as indústrias da região tiveram melhora significativa nas vendas. ‘‘O consumidor descobriu que nos produtos a preços baixos não existia qualidade e voltou a procurar a mercadoria nacional’’, afirma.
Para Rubens Abrão, diretor da Acim, as importações mexeram também na qualidade do produto nacional. Ele explica que muitas empresas, principalmente as grandes, compraram material de qualidade no exterior. Agora, como as vantagens de pagamento não são atraentes, as importações cessaram. ‘‘Porém restou a preocupação da indústria brasileira em produzir com qualidade e preço competitivo, o que é bom para todo segmento’’, avalia.
O gerente administrativo do maior shopping atacadista de confecções de Maringá, Sérgio Segovia da Silva, acredita ainda que a boa safra de soja e o merketing da indústria do vestuário do Paraná têm contribuído para o aumento nas vendas. Ele calcula que a procura por roupas de inverno cresceu mais de 40% e deve chegar a 60% até o início do frio. ‘‘Estamos recebendo uma média de 40 excursões por dia, mais da metade é de lojistas da região e do interior de São Paulo’’, diz. Silva revela ainda que as 160 lojas do shopping estão ocupadas, e existe uma lista de espera desde janeiro de empresários em busca de ponto-de-venda em Maringá.

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