SÃO PAULO - A indústria nacional de máquinas e equipamentos deverá continuar encolhendo em 1997. Segundo previsões da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as importações brasileiras devem atingir neste ano US$ 9,4 bilhões, com crescimento de 42% sobre 1996. As máquinas e os equipamentos importados devem abocanhar em 1997 a metade das compras da indústria local.
No ano passado não foi diferente. Em 1996, as máquinas importadas responderam por 37% do consumo e o País gastou no exterior US$ 6,6 bilhões com importações, 10% a mais que no ano anterior. Enquanto isso, a produção nacional recuou 12,8%, de US$ 16,51 bilhões em 1995 para US$ 14,40 bilhões em 1996. Foram eliminados 21,2 mil postos de trabalho. Para este ano, a perspectiva é que a produção nacional de máquinas continue em queda e atinja US$ 13,3 bilhões, com o corte de mais 22,2 mil empregos.
‘‘O setor não foi bem em 1996’’, diz o presidente da Abimaq, Sérgio Magalhães. Segundo ele, o avanço das importações está provocando, ano a ano, um encolhimento da produção nacional de máquinas e equipamentos, com reflexos diretos no emprego. Ele conta que muitas máquinas entram no País com guias de importações erradas, onde se declara que o produto não tem similar nacional para que a importação seja liberada.
Parte do recuo da indústria nacional, explica o empresário, decorre da falta disposição dos bancos privados em repassar as linhas de crédito do governo. No ano passado, havia disponível cerca de US$ 4,5 bilhões pelo Finame do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas só foram liberados US$ 2,5 bilhões, 32% menos que no ano anterior. ‘‘O grande problema não é a falta de comprador, mas de bancos dispostos a darem o aval.’’
Segundo Magalhães, não é interessante para o sistema financeiro trabalhar com o Finame. Com inadimplência da ordem de 4% e um ganho da ordem de 2% do valor da operação, o repasse não se torna negócio para o banco, que tem de ser o avalista. Nas contas do presidente da Abimaq, da produção de US$ 14,4 bilhões do setor no ano passado, o equivalente a US$ 8 bilhões em máquinas foram comercializadas sem financiamento do governo.


Importados devem
abocanhar metade
das compras da
indústria local


Globalização Diante da perspectiva de manutenção da política cambial e dos juros altos, uma das metas do setor para frear o encolhimento é ampliar as exportações e a participação de componentes importados nas máquinas produzidas no País. Este tema começa a ser discutido no fórum que o setor está inaugurando, batizado de ‘‘Máquina em Movimento’’.
Segundo Magalhães, o objetivo de incentivar o uso de peças e componentes importados, que entram em média em 20% das máquinas produzidas, especialmente entre os pequenos fabricantes, é tornar a máquina nacional entre 6% e 7% mais barata e com qualidade para enfrentar a competição dos importados.
Para este ano, a expectativa do setor é de um ligeiro crescimento nas exportações, que deverão somar US$ 3,4 bilhões, 3% mais que em 1996. Para ampliar as exportações, o setor reivindica a regulamentação do seguro de crédito que facilitaria o desconto de duplicatas na venda para outros países.

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