Indústria de máquinas tem crescimento de 9% no País
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Andréa Bertoldi <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A indústria de máquinas (bens de capital mecânicos) fechou o ano de 2011 com um faturamento bruto de R$ 81,2 bilhões, o que representa um crescimento de 9,2% sobre o ano de 2010. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Luiz Albert Neto, disse que o resultado é importante, mas ocorreu sobre uma base de comparação muito baixa e sinaliza apenas uma breve recuperação do setor que foi profundamente afetado pela crise financeira de 2008. Apesar do crescimento, o faturamento ainda ficou 3,8% abaixo dos valores de 2008.
Os setores que mais influenciaram o crescimento da indústria de bens de capital mecânicos foram máquinas agrícolas e bens sob encomenda, os quais têm uma importante participação no faturamento do setor e cresceram 30,1% e 6,2%, respectivamente, na comparação com 2010. Já os setores de máquinas têxteis (-45,5%), máquinas para plásticos (-14,3%) e válvulas (-18,1%) continuam enfrentando uma situação preocupante, segundo ele, e encerraram o ano de 2011 com um faturamento inferior ao obtido em 2010.
Em janeiro de 2012, o faturamento bruto real do setor foi 24,4% inferior ao resultado de dezembro de 2011, o que ocorreu devido ao desaquecimento das vendas no início do ano. No entanto, o faturamento real de R$ 5,4 bilhões em janeiro de 2012 foi pouco superior (1,4%) ao verificado no mesmo mês do ano anterior. Ele acredita que ainda é cedo para fazer previsões para o desempenho do setor de máquinas em 2012.
Balança comercial
Outro dado preocupante foi o deficit de US$ 17,9 bilhões que ocorreu na balança comercial de máquinas e equipamentos em 2011. Esse valor é 13,6% superior ao resultado de 2010, e teve como principal fator o elevado volume de importações de bens de capital, as quais somaram o total de US$ 29,8 bilhões. As exportações alcançaram o total de US$ 11,9 bilhões, e esse crescimento significativo em 2011 contribuiu para que o deficit de bens de capital não fosse ainda maior. No entanto, este crescimento ficou concentrado nos setores de logística e construção civil e infraestrutura e indústria de base.
Em 2011, cerca de 48% das exportações de bens de capital tiveram como destino a América Latina, o que reforça a importância das relações do Brasil com esses países. Em valores financeiros, as principais origens das importações são dos Estados Unidos, Alemanha e China. Em volume, a China ocupa o primeiro lugar.
Segundo o presidente da Abimaq, o grande problema é que o País vem importando mais máquinas. Isso tem sido provocado pelos juros altos no Brasil e pelo dólar desvalorizado em relação ao real. A importação de máquinas prontas ou mesmo componentes têm se tornado cada vez mais frequente. Isso tudo pode levar à temida desindustrialização do setor, que começou a se intensificar em 2008. Albert Neto defende que o governo federal deveria adotar medidas como a redução da taxa básica de juros, a diminuição do spread bancário e criar mecanismos para atenuar a sobrevalorização do real. No final de dezembro de 2011, o setor atingiu o total de 260.699 trabalhadores, o que representa um resultado 0,9% inferior ao mês de novembro.



