Indústria de máquinas rindo à toa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O forte desempenho do agronegócio aliado ao crédito farto disponível no mercado alavancaram as vendas de caminhões e máquinas agrícolas. Segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o setor de máquinas deve fechar este ano com o melhor resultado da década, com a fabricação de cerca de 53 mil unidades e crescimento de 38% sobre a produção do ano passado. Já o mercado de caminhões fechou o semestre com aumento de 29% e a projeção é que o ano seja fechado com índice semelhante.
As análises são otimistas e para os próximos anos indicam mais crescimento, porém, em patamares mais modestos. As projeções para 2009 é de um aumento de cerca de 10% nas vendas. No ano passado, por exemplo, o mercado de caminhões cresceu quase 29% no País na comparação com 2006. No entanto, no Paraná as vendas aumentaram cerca de 38% no mesmo período. ''O gargalo para os próximos anos será o fornecimento de produtos'', avalia Wilson Brício, presidente da ZF América do Sul (multinacional que fabrica sistemas de transmissão e tecnologia de chassis).
Na sua avaliação, o maior problema enfrentado é a capacidade instalada das indústrias, o que deve levar o setor automotivo a promover uma ''onda de investimentos'' nos próximos dois anos. Outros fatores limitantes são a infra-estrutura nacional deficiente e o excesso de burocracia. ''O custo deste desembaraço tira a competitividade da indústria nacional. Mas, mesmo assim, o maior gargalo hoje é a capacidade industrial instalada'', avalia Brício. A ZF está em um momento de expansão com um faturamento superior a R$ 1 bilhão e crescimento de 20% registrado no ano passado com relação a 2006.
Neste ano a ZF deve crescer cerca de 15% com relação a 2007, enquanto o setor automotivo como um todo deve registrar aumento de 10%. Cerca de 65% da produção da indústria é destinada a veículos comerciais e máquinas agrícolas. ''O Brasil é um país gigante, com necessidades que estão longe de serem preenchidas. O crescimento do mercado automotivo tem correlação direta com a disponibilidade de crédito'', diz Brício. Segundo dados do setor, cerca de 70% dos carros comercializados hoje no Brasil são vendidos por meio de financiamentos.
A Tork, concessionária Valtra em Londrina, já registra crescimento 25% superior às vendas do ano passado. O aumento da procura, inclusive, levou os consumidores a entrar em uma fila de espera para conseguir levar um trator para a propriedade. O tempo médio da fila varia de 90 a 120 dias. ''Acredito que este ano as vendas vão se igualar ou até passar o volume atingido em 2003 (melhor ano para a empresa em vendas)'', comenta o gerente Wilson Naldi.
Segundo ele, os negócios estão sendo impulsionados pelos bons preços dos produtos agrícolas e, por isso, muitas vendas estão sendo fechadas com pagamento à vista. ''Estamos entregando agora os tratores vendidos durante a feira de Londrina. As linhas de financiamento oferecidas pelos bancos durante a exposição ajudaram nos negócios'', acrescenta. Já na New Agro, representante New Holland, as vendas estacionaram desde o final de junho. Segundo Régis Edson Mazzardo, diretor comercial da empresa, muitos agricultores esperaram a divulgação do pacote agrícola do governo federal para depois decidir investimentos.
''Por enquanto 2004 foi o melhor ano para a empresa. O mercado é bastante sensível e se os preços das commodities sobem as vendas aquecem; na verdade, o resultado da colheita é que irá definir os investimentos dos produtores rurais'', avalia Mazzardo. Segundo ele, a maioria dos agricultores não faz planejamento e, por isso, decidem seus investimentos a curto prazo. ''Se as negociações continuarem o ano será bom, mas há limitantes como a disponibilidade de produtos'', observa. Apesar disso, o diretor comercial afirma que a empresa trabalha com a venda a pronta entrega e com a formação de estoques.


