Guto Rocha
De Londrina
A indústria de máquinas agrícolas está apostando na entrada da safra para aquecer as vendas do setor. Segundo o vice-presidente da divisão de máquinas agrícolas da Anfavea (Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores), Pérsio Pastri, o setor espera que o fraco desempenho das vendas registrado no ano passado possa ser revertido.
As vendas de máquinas agrícolas tiveram uma queda de 1,3% no acumulado de 1999. E o ritmo de queda também continuou no primeiro bimestre deste ano. Segundo Pastri, entre janeiro e fevereiro passado foram comercializadas 3.051 unidades, contra as 3,409 negociadas no mesmo período do ano passado. Uma queda de 10,5%.
A expectativa com a entrada da safra é de que os produtores invistam na renovação da frota, principalmente de tratores. ‘‘O produtor está consciente que sem um investimento em tecnologia, ele não conseguirá se tornar competitivo’’, comentou. O executivo observou que o parque de máquinas do País está obsoleto. ‘‘De um total de 460 mil tratores, 35% tem idade entre 15 e 25 anos de uso.’’
Além da safra, Pastri acredita que outro fator que levará os produtores investir na compra de máquinas é a linha de financiamento aberta pelo governo há cerca de 10 dias. ‘‘Com uma renda boa na lavoura e um financiamento barato e com custo fixo, os produtores terão boas oportunidades para adquirir novo maquinário.’’
O otimismo da indústria também chegou a algumas revendas do Paraná. Segundo o gerente da Horizon, em Londrina, Martin Stremlow, os bons preços da soja e do milho estão trazendo esperanças de melhoras de vendas máquinas.
Já o gerente da revenda Tork, Wilson Naldi, não acredita que o resultado da safra leve os produtores da região a comprar máquinas. ‘‘O que pode fazer o mercado reagir é financiamento lançado pelo governo.’’
Também na região de Campo Mourão, o financiamento está animando mais os produtores do que a nova safra. Valdemar da Mata, gerente geral de uma revendedora, informa que foram vendidos seis tratores e três colheitadeiras nos últimos 15 dias em função do financiamento, que tem juros de 8,75% ao ano e um prazo de até seis anos para o pagamento. Marcos Soares de Lima, gerente de vendas de outra concessionária de Campo Mourão, mantém o mesmo otimismo e fala que as vendas podem até dobrar em relação ao ano passado.
O gerente de vendas da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), José Varago, reforça a teoria de que a nova linha de crédito vem agitando mais o setor do que a safra que está sendo colhida. Com relação aos insumos, Varago lembra que eles subiram com a desvalorização do real e, mesmo com o dólar caindo, com exceção dos fertilizantes, ainda não houve uma reação do mercado. Por isso mesmo, as expectativas de vendas de insumos são as mesmas do ano passado.
Já na região de Maringá a quebra estimada para a safra de grãos, que está em fase final de colheita, deve chegar a 10% em relação ao mesmo período do ano passado. Mesmo assim o mercado está reagindo de forma ‘‘normal’’, com os produtores correndo contra o tempo para o plantio do milho safrinha. ‘‘Precisamos levar em conta que a safra anterior foi muito boa, então o resultado atual está dentro do normal’’, diz o presidente da Cooperativa de Maringá (Cocamar), Luiz Lourenço. Mesmo com a ‘‘quebra’’ a cooperativa deve receber quase o mesmo volume do ano passado, em torno de 322 mil toneladas. (Com Sid Sauer, de Campo Mourão, e Marcos Zanatta, de Maringá)