Indústria de máquinas
-O balanço das vendas de equipamentos agrícolas no ano passado, divulgado ontem, preocupa - afinal expressa as dificuldades de um setor importante - mas não chega a surpreender. O próprio diretor do segmento de tratores da Anfavea, Térsio Pastre, havia previsto que o segundo semestre seria terrível. Pior do que o recuo nas vendas de máquinas são as causas do fracasso: a descapitalização do setor demandador desses equipamentos. Apesar dos bons preços de pelo menos dois produtos, soja e milho, o setor não vai bem e, portanto, não investe. Competente, a indústria de equipamentos tenta contornar a recessão através de alternativas no mercado externo. Mas o mercado mesmo está aqui com sua enorme demanda reprimida.
-Como em 97 o mercado não será tão generoso para a soja e milho, a compra de máquinas será novamente adiada. Para não aumentar a dispensa de mão-de-obra urbana da indústria de máquinas, o governo terá de criar linhas de financiamento, ampliar ou arrumar um substituto para Finar, ou torná-lo mais acessível a uma camada mais ampla, como a clientela do Pronaf, por exemplo. O setor ainda acredita no governo e aposta num anúncio, feito no final de novembro, sobre uma nova linha de crédito, de US$ 200 milhões, que pode estimular os negócios. O agricultor poderá pagar o empréstimo em até cinco anos, com juros fixos de 16% ao ano.
-Por enquanto, a indústria continua amargando um dos piores balanços da história. As vendas de máquinas agrícolas despencaram em 96. De janeiro a novembro foram vendidas 12.885 unidades no atacado, 41,6% menos do que no mesmo período de 95. Em relação aos primeiros 11 meses de 94, o desempenho foi ainda pior: redução média de 70%. A situação é dramática. As vendas caíram ao nível de 1963, diz Rasso von Reininghaus, diretor da New Holland, de Curitiba (segundo maior fabricante de tratores do País), em entrevista ao repórter Arthur Pereira, da Agência Folha. O mercado parou em abril de 95, quando o governo suspendeu as linhas de créditos existentes para o setor, inviabilizando a compra de novas máquinas. Nesse ponto, o agricultor já estava endividado e inadimplente junto aos bancos.
-Em 93 e 94, o agricultor foi encorajado a tomar financiamentos com
indexação pela TJLP. Os juros foram para a estratosfera e os preços agrícolas caíram. A renegociação da dívida dos agricultores junto ao Banco do Brasil somente foi completada em setembro de 1996. Mas o agricultor continua endividado. Ele agora está com medo de assumir qualquer financiamento com
indexador.
-O que mantem o setor esperançoso é o mercado a ser potencializado. Para o diretor da New Holland, por exemplo, ainda há muito espaço para a venda de
máquinas agrícolas no país. O índice de mecanização agrícola é baixo em
relação a outros países. O Brasil tem um trator para cada 107 hectares. Na Argentina, há um para cada 70 hectares. Em países como França e Alemanha, há um trator para cada 12 hectares.





