Curitiba - Indústrias e produtores de mandioca vão reivindicar o mesmo tratamento dado ao trigo, onde o governo está disposto a pagar até R$ 150,00 por tonelada para retirar o grão do Paraná e transferir a produção para o Nordeste do País. O setor quer que o governo dobre a contrapartida oferecida nos leilões de compra da mandioca, passando de R$ 15 para R$ 30 por tonelada. Com isso, as indústrias prometem sustentar a cotação para compra do produto em cerca de R$ 95,00 a tonelada, para não desestimular o produtor.
A reivindicação será apresentada ainda esta semana no Ministério da Agricultura e do Abastecimento, em Brasília, disse ontem o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (Abam), Ricardo Bandeira Villela. Segundo ele, se for concretizado esse acordo, as indústrias pretendem se organizar para enxugar o excedente que vem derrubando os preços no mercado, desde o início do ano. Villela garantiu que as indústrias estão dispostas a exportar, mesmo com prejuízo por causa da queda do dólar, para que os preços no mercado interno não caiam ainda mais. ''Mas para isso, precisamos de um reforço do governo'', afirmou.
Segundo Villela, os produtores de mandioca ampliaram o plantio estimulados pelos bons preços no passado e este ano estão colhendo uma produção de 26 milhões de toneladas em todo o País. O volume não seria preocupante, se houvesse regularidades nas exportações, que foram interrompidas por causa da queda do câmbio, explicou. Segundo Villela, também a mandioca está passando pela mesmo crise que está afetando todos os demais produtos agropecuários. O mercado interno não é suficiente para absorver a produção e o dólar depreciado está trazendo prejuízos aos exportadores.
No Paraná, produtores e industriais se reúnem a partir de hoje, em Paranavaí (Região Noroeste) para discutir soluções para o impasse. A preocupação é com a produção do ano que vem que pode ser ainda maior, avisou o presidente da Associação dos Produtores de Mandioca do Noroeste do Paraná, Cleto Janeiro. Ele estima que cerca de 30% a 40% do que foi plantado este ano está sendo colhido. O restante será colhido no ano que vem porque o produtor não quer arrancar a mandioca do solo com preços baixos.
Segundo a Abam, 70 farinheiras da região Noroeste do Paraná reduziram em 50% suas atividades nos últimos meses, deixando cerca de duas mil pessoas sem trabalho. O setor gera cerca de 40 mil empregos ao longo do ano.
Os produtores estão recebendo pela mandioca a metade do que gastaram para produzir. Segundo Cleto, os produtores pagaram para plantar cerca de R$ 120,00 a tonelada. A indústria está pagando entre R$ 80,00 e R$ 90,00 a tonelada, sem o desconto do frete. ''Com isso, os produtores estão recebendo entre R$ 50,00 a R$ 60,00 por tonelada'', calculou.

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