Indústria de louças de Campo Largo sai da crise
Vânia Casado
De Curitiba
As vendas estão aquecidas na 8ª Feira da Indústria da Louça de Campo Largo, que está sendo realizada em Curitiba, no Marumbi Expo Center, desde o dia 3. Para atrair o consumidor as indústrias colocaram várias promoções, como um jogo de jantar de cerâmica com 20 peças por R$ 12,00, ou um jogo de jantar de porcelana com 42 peças por R$ 130,00. No feriado prolongado estavam sendo vendidos entre 100 a 200 peças de jogo de jantar de cerâmica por dia e uns 10 jogos de jantar de porcelana.
A Feira é vitrine da produção das 36 indústrias de porcelanas, cerâmicas e louças de Campo Largo, região metropolitana de Curitiba, que este ano estão comemorando a recuperação do fôlego financeiro, após anos de exposição à concorrência internacional e abertura de mercado, que provocou o fechamento de todas as indústrias do setor na América Latina. Apenas as indústrias de Campo Largo sobreviveram e são responsáveis por 90% da produção de porcelana do Brasil, afirmou o diretor do Sindicato das Indústrias de Louças, José Canisso.
O setor fatura atualmente entre R$ 250 milhões a R$ 300 milhões por ano com as vendas para o mercado interno e exportações para o Mercosul, Europa e Ásia. Da produção de 450 milhões de peças por ano, 20% são destinadas à exportação para Europa e Ásia. Nesse volume, Canisso não contabiliza as peças enviadas para os países do Mercosul porque elas já ocorrem normalmente, desde o fechamento das fábricas de porcelanas nesses países.
Para sobreviver as indústrias fizeram uma verdadeira revolução, enxugando suas estruturas para reduzir custos. Os funcionários demitidos foram transformados em parceiros com a terceirização dos serviços. Foram terceirizados desde o serviço de fundição da massa, moldes até as embalagens e os fretes.
Essa foi a fórmula encontrada para enfrentar a pesada carga tributária sobre o setor, que é uma das mais altas do segmento indústrial, diz Canisso. Segundo ele, as porcelanas pagam 68% de tributos, sendo que só o IPI é de 20%. Além disso, o setor investiu em pesquisa de novas peças, sem auxílio de crédito financeiro que sumiu dos bancos. Tudo que foi feito foi com recursos próprios.
Com a recuperação, as indústrias desenvolveram peças com qualidade e de acordo com as preferências do consumidor. Foram feitas novas pesquisas e as indústrias desenvolveram peças adaptadas para o uso em fornos de microondas e lavalouças. A fabricação desses produtos vem sendo facilitada com o uso de gás natural do município vizinho de Araucária.
Segundo Canisso, a partir de Outubro as indústrias já vão utilizar o gás natural do gasoduto Brasil-Bolívia, que permite uma queima rápida das peças e aumenta a produtividade das indústrias. Com maior produtividade, as indústrias pretendem elevar as exportações entre 10% a 15% até o ano 2.000.
Com a terceirização, surgiram cerca de 50 microempresas de funcionários demitidos. Eles seespecializaram naquilo que trabalhavam e passaram a explorar um nicho de mercado rejeitado. É o caso de microempresas que dominam a técnica do manejo com a porcelana e passaram a fabricar peças minúsculas para fábricas de bijouterias.





