Indústria de Londrina já soma 500 demissões
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de dezembro de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A indústria londrinense já demitiu cerca de 500 trabalhadores desde novembro, segundo a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), levando em conta o desligamento dos 228 funcionários da multinacional Hussmann, anteontem pela manhã. Segundo o coordenador local da Fiep, Ary Sudan, a volta das férias é o período que mais preocupa a instituição. Quem pôde, manteve os postos de trabalho e aguarda a melhora do mercado com medidas de contenção como férias coletivas. Se nada mudar, as demissões continuarão, prevê.
Sudam faz coro com as declarações do presidente da instituição, Rodrigo da Rocha Loures, que durante toda a semana defendeu uma política agressiva de combate à crise. Ambos executivos sinalizam a queda dos juros, a desoneração da folha de pagamento e a flexibilização das leis trabalhistas como os caminhos de afrouxamento da corda no pescoço do setor. Nesta semana, em Londrina, Sudam reuniu-se com o Sindicato dos Metalúrgicos para buscar soluções em conjunto, a fim de evitar mais cortes de pessoal.
Para o comércio, a retração no número de empregos ainda não afetou diretamente as vendas de fim de ano, segundo o presidente da Federação do Comércio do Paraná, Darcy Piana. Ele afirma que recursos do 13º salário, adiantamento de férias e até os recebíveis oriundos da demissão, são recursos em dinheiro que o consumidor está gastando por conta dos custos do Natal, como presentes e ceia. No entanto, a instituição previa uma alta nas vendas de 14% e já trabalha com a hipótese de 9%.
Como a principal data do comércio ficou estrangulada em meio ao clima de crise, muitas lojas adiantaram as promoções que deveriam vir apenas em janeiro, quando o setor tradicionalmente queima os estoques do ano anterior. O medo do comércio em não pagar as contas diante da queda das vendas refletiu nas contratações. A previsão de 20 mil terceirizados para o período foi reduzido a 12 mil, no máximo.


