São Paulo - O presidente executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), Ricardo Gonçalves, afirmou ontem que a indústria começa esta semana a suspender os abates de animais por causa da greve dos fiscais agropecuários. A greve eclodiu no último dia 7 e não há previsões para que se encerre.
Os fiscais são responsáveis pela certificação da carne que circula no mercado doméstico e internacional. É necessário selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para que as mercadorias circulem. ''Como a indústria não tem folga muito grande na capacidade de estocagem, algumas unidades já estão parando'', explicou Gonçalves.
Segundo o presidente da Abef, a produção de frango vem crescendo rapidamente para atender ao cintilante mercado exportador. Mas o aumento da capacidade instalada em câmaras frias não consegue acompanhar esse ritmo. ''Isso significa que trabalhamos normalmente com algo entre 80% e 90% da capacidade de armazenagem em câmara fria em uso'', afirma. ''Uma paralisação do comércio lota os armazéns rapidamente.''
Gonçalves afirma que as empresas nem sequer podem retirar a carne de uma unidade para a outra menos utilizada. ''Afinal, a carne não pode circular sem o selo do SIF.''
Antes da greve estourar, um acordo entre o sindicato dos fiscais e o Ministério do Planejamento foi costurado. Em tese, 30% da força de trabalho estaria operando para evitar o caos. Na prática, contudo, Gonçalves afirma que a medida é paliativa. ''Mesmo os fiscais que estão trabalhando estão em um ritmo de operação padrão, e o congestionamento nos portos é grande'', diz.
Quatro portos concentram 70% dos embarques de carne de frango do Brasil: Itajaí (SC), Rio Grande (RS), Paranaguá (PR) e Santos (SP). ''Só em Itajaí há um acúmulo de 700 contêineres para transportar, e em Rio Grande o acúmulo é de 300 contêineres'', diz Gonçalves. Cada contêiner transporta em média 20 toneladas de carne.
Ao impedir os embarques de carne de frango brasileiro, a greve dos fiscais agropecuários impede o ingresso diário de US$ 14 milhões em receita cambial, segundo projeção da Abef. De acordo com Gonçalves, a indústria está negociando com os importadores para adiar o cumprimento dos contratos. ''Mas não é possível prever se todos vão aceitar essa negociação, há clientes mais 'chatos''', diz o executivo.
O presidente da Abef avalia que a greve redunda em prejuízo para as empresas de qualquer forma, por causa das despesas portuárias e da alteração no ciclo da cadeia produtiva. ''Animais que deveriam ser abatidos em 45 dias para ser substituídos por novos pintos de corte ainda ocupam espaço nas granjas'', observa.

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