Agência Estado
De São Paulo
A indústria de embalagens poderá reajustar preços a partir deste mês para repassar o aumento de custos causado pelos reajustes das matérias-primas. A previsão é do coordenador do Grupo de Política Industrial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Nicolau Jeha. Segundo ele, desde o segundo semestre do ano passado o preço da celulose no mercado externo subiu aproximadamente 50%.
O papel kraft, as aparas de papelão e o papel reciclado também subiram. ‘‘O setor de embalagens é o último elo da cadeia produtiva e ainda não aumentou os preços’’, disse.
Além das matérias-primas mais caras, o encolhimento da oferta dos produtos no mercado interno também deve pressionar os preços. As indústrias, que já estão no limite de seu potencial de produção, com 90% de sua capacidade instalada, têm elevado suas exportações, o que compromete o abastecimento internamente. E elas devem continuar a privilegiar o mercado externo, na opinião de Jeha, caso não possam reajustar seus preços. ‘‘O empresário vai preferir exportar porque o retorno será melhor’’, afirmou.
Jeha explicou que após a superação das crises econômicas internacionais, a demanda pelo produto vem aumentando. Os países asiáticos voltaram fortemente ao mercado, segundo Jeha, e vem absorvendo grande parte das vendas brasileiras. Prova disso é a alta dos papéis das gigantes do setor de outubro de 1998 para cá. As ações da Klabin, maior fabricante de papel do País, e a Aracruz, maior fabricante de celulose, valorizaram 412% e 207% respectivamente (em dólar).
A expansão prevista para o ano 2000 do setor é de 6% a 8%, se confirmado o crescimento de 4% da atividade produtiva perseguido pelo governo. No primeiro bimestre deste ano, as vendas de papel e celulose tiveram um crescimento líquido de 4% sobre o mesmo período de 1999. Mesmo descontando os fatores sazonais, como o maior número de dias úteis de janeiro e fevereiro de 2000 e a desvalorização cambial do ano passado, os resultados, segundo Jeha, são animadores.

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