Os fabricantes de eletroeletrônicos se reuniram na última quarta-feira e decidiram, em conjunto, empurrar para o varejo um aumento de preços da ordem de 30% em todas as linhas de produtos, por conta da desvalorização do real. Os lojistas não gostaram. Resultado: as negociações emperraram. Na reunião que ocorreu na sede da Eletros, associação que reúne os fabricantes, era consenso entre os empresários de que os lojistas já haviam subido os preços das mercadorias entre 15% e 20%, assim que o câmbio foi liberado, e que não daria mais para manter as tabelas antigas.
A indústria eletroeletrônica vai bater pé para manter os preços 30% mais caros, pois alega que boa parte dos componentes vem do exterior e que a desvalorização do real provocou um aumento dos seus custos. A indústria tem a seu favor nessa briga com o comércio o fato de muitas lojas estarem com os estoques reduzidos. Fabricantes dizem que há falta de modelos de produtos em alguns pontos-de-venda. Os lojistas já acham que têm espaço para brigar por preços mais baixos porque o consumo está fraco. Para Fábio Pina, economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), é praticamente certo que a indústria vai vencer essa briga. ‘‘A recessão pode brecar alta de preços quando há pequena pressão de custos e ou de desvalorização do câmbio. Não é o caso. Não dá para segurar preço quando a moeda desvaloriza 42%. A recessão, na sua análise, pode segurar a venda, e é o que deve ocorrer daqui para a frente com os reajustes, diz. ‘‘A indústria está trabalhando com margens de lucro bem apertadas, assim como o varejo que vende eletroeletrônicos’’.

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