A indústria do setor eletroeletrônico fechou o primeiro semestre do ano com queda de 17% na produção e de 13% no faturamento real em relação ao mesmo período de 2015. A previsão é encerrar este ano com faturamento de R$ 146,7 bilhões. O balanço foi apresentado ontem pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, na Federação das Indústrias do Paraná, em Curitiba. Ele destacou que, só nos seis primeiros meses do ano, foram fechados 14,8 mil postos de trabalho.
Barbato ressaltou que o desempenho do setor está diretamente relacionado ao cenário econômico atual do País. Além disso, o segmento foi prejudicado pela queda do índice de confiança do consumidor e pelo aumento do desemprego.
Os segmentos da indústria eletroeletrônica que tiveram maiores quedas de faturamento real no primeiro semestre foram informática (-16%), material de instalação (-17%) e utilidades domésticas (-25%).
Outro indicador preocupante do setor foram os estoques que ficaram acima do normal nos seis primeiros meses do ano, reflexo da redução de vendas. O percentual de empresas que indicaram estoques acima do normal em matérias-primas passou de 22% em dezembro de 2014 para 40% em junho de 2015. Em produtos acabados, o volume de companhias que apontou estoques altos foi de 20% ao final de 2014 e de 38% em junho de 2015.
E, para o fechamento deste ano, a previsão é que a produção feche com queda de 13% e o faturamento real caia 7%. Os segmentos que devem ser mais prejudicados são informática (-15%), telecomunicações (-10%) e utilidades domésticas (-14%). A previsão é conseguir reverter as perdas do setor como um todo somente ao final de 2016.
Barbato defende que é preciso recuperar o mercado internacional e espaço perdido em outros países nos últimos anos. Em 2006, as exportações do setor representavam 19,2% do faturamento, hoje não chegam a 10%. No ano passado, o Brasil exportou US$ 6,5 bilhões e neste ano, considerando o primeiro semestre, US$ 6 bilhões, revelando uma retração de 8%.
"O País tem uma participação no mercado externo de manufaturados muito pequena e precisa aumentar. Nós precisamos nos aproximar novamente de grandes mercados, como dos Estados Unidos".
A última Sondagem Abinee feita com 500 empresas associadas da entidade em todo o Brasil sobre as perspectivas para o segundo semestre do ano mostrou que 40% das empresas falam em retração, 25% em estabilidade e 35% em crescimento.
A empresa Enerbras, com sede em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, buscou a exportação como um caminho para reduzir os impactos da crise econômica. A companhia exporta principalmente chuveiros elétricos para 15 países das Américas Central e do Sul. O projeto de vendas para o mercado externo começou há quatro anos e, hoje, as exportações respondem por 20% da produção da empresa, segundo o gerente de marketing da Enerbras, Helder Leal.
A empresa tem 20 anos no mercado, emprega 300 funcionários e faturou R$ 60 milhões em 2014. Neste ano, a previsão é ter um crescimento de 1% a 2% no faturamento com a ajuda das exportações. Além de chuveiros, a companhia fabrica interruptores, tomadas, plugs, fitas isolantes, disjuntores, entre outros produtos.

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