Indústria de chocolate espera crescer 12% este ano
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
São Paulo - A antecipação na comemoração da Páscoa, este ano, não irá atrapalhar em nada o desempenho da indústria de chocolate. O setor projeta um faturamento 12% superior ao registrado em 2007, somando perto de R$ 767 milhões, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Chocolate, Cacau e Derivados (Abicab), divulgados em coletiva, ontem, em São Paulo. Esse valor representa 20,7% do faturamento anual de chocolates.
A previsão é de produzir 100 milhões de unidades de ovos de chocolate, o que equivale a 22,9 mil toneladas - volume 7% maior ao registrado na Páscoa passada, quando foram produzidas 21,4 mil toneladas. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são o segundo maior mercado consumidor nesse período, com 21 % de participação. Somente o Paraná responde por 7,6% do mercado nacional, na Páscoa.
De acordo com o vice-presidente da Área de Chocolate da Abicab, Maurício Weiand, o otimismo se explica pelo fato de o Brasil ter subido uma posição no ranking da indústria mundial de chocolate de uso continuado, ficando como quarto maior produtor, em 2007, com 304 mil toneladas: 22,5% a mais do que ano anterior (248 mil toneladas). Apenas Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido superaram a indústria brasileira.
Considerando a produção de aproximadamente 3,5 mil toneladas de cobertura de chocolate - usada na fabricação artesanal de ovos -, o Brasil irá produzir 26,4 mil toneladas de produtos de Páscoa: volume que representa 7,5% do que a indústria de chocolate, em geral, produz anualmente. A data deverá responder, ainda, pela geração de 25 mil empregos temporários.
O vice-presidente de Mercado Interno e Exportação, Ubiracy Fonseca, informou que os ovos de chocolate chegarão aos pontos de venda, em média, 4,7% mais caros em relação a 2007. ''Esse percentual varia de um fabricante para outro, mas corresponde basicamente à reposição da inflação'', observou ele. O ''realinhamento de preços'' levou em conta o aumento nos custos dos principais insumos como açúcar, cacau e leite. Os dois últimos subiram aproximadamente 30%.
Fonseca afirmou que a valorização do real frente ao dólar vem contribuindo para o aumento das importações e queda nas exportações de chocolate. As importações passaram de US$ 28 milhões, em 2005, para US$ 45 milhões, no ano passado. As exportações caíram de US$ 157 milhões para US$ 132 milhões. Mesmo assim, o saldo da balança é positivo em US$ 87 milhões, garantiu Fonseca.
Para Weiand, o aumento no poder de compra do brasileiro e a criatividade da indústria que, a cada, investe mais em inovações para atender as exigências do consumidor, também, influenciam esse crescimento. Uma das novidades, desta Páscoa, segundo ele, são produtos com maior teor de cacau para atender um público de gosto mais refinado.
De fato, os fabricantes estão apostando neste segmento. Dois dos três lançamento da Arcor para o público adulto, por exemplo, atendem essa tendência. Segundo o Grupo Arcor, a grande inovação é a caixa de ovos Arcor Origens de Cacau, com insumo proveniente de três regiões distintas e com diferentes percentuais: Equador (65% de cacau), Venezuela (53%) e Costa do Marfim (30%). A outra novidade é o chocolate amargo, lançado em barra no ano passado, que vem agora na forma de ovo, com 53% de cacau na composição. A expectativa é de um aumento de 15% nas vendas.
A Nestlé, terceira maior fabricante, segundo a Abicab, também está de olho nessa tendência de produtos funcionais. Um de seus lançamentos é o ovo Sollys, sem lactose, rico em fibras e cálcio, destinado a consumidores que têm intolerância ao produto.


