Indústria de café solúvel vive impasse sobre importação
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sexta-feira, 25 de julho de 2014
Ricardo Maia<br> Reportagem Local 
A baixa oferta de matéria-prima da variedade de café robusta, produto direcionado para a produção de café solúvel, há anos tem sido motivo de discussão entre produtores e indústrias. De um lado o setor industrial pede a liberação da importação de café de outros países para repor estoques e enriquecer os blends cafeeiros do Brasil. Do outro, produtores dizem que além de afetar o mercado, a importação desse tipo de produto pode abrir as portas para a entrada de pragas ou doenças.
Apesar do Paraná não produzir a variedade voltada para a produção de café solúvel, o Estado detém duas das cinco principais empresas produtoras do produto no País, uma em Londrina e outra em Cornélio Procópio (Norte). Segundo reportagem publicada recentemente pelo jornal Valor Econômico, uma análise de riscos sobre a importação de café robusta do Vietnã já foi realizada e o resultado apontou a possibilidade de inserção no País do besouro Trogoderma granarium, inseto altamente nocivo aos grãos de café. O Vietnã é um dos principais polos produtores de robusta no mundo.
A discussão sobre a importação dessa variedade de café vem ocorrendo desde 2010 e, até agora, o assunto tem ficado somente nos debates. Paulo Franzini, especialista na área de café do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), explica que qualquer importação requer uma série de exigências fitossanitárias para que uma determinada praga ou doença não entre no ecossistema brasileiro.
O problema, garante Franzini, é mais uma questão econômica do que fitossanitária. Roberto Ferreira Paula, diretor executivo da Associação Brasileira de Café Solúvel (Abics), afirma que ainda não existe nada de concreto sobre a importação de robusta, mas que esse impasse acaba prejudicando as indústrias do setor já que elas não possuem matéria-prima suficiente para dar conta da demanda. "Estamos sempre em dificuldade", lamenta o diretor.
Questionado pela FOLHA sobre uma possível importação de pragas, a exemplo do besouro, Ferreira Paula afirma que não há qualquer fundamento em relação a isso, já que existem critérios fitossanitários na importação de qualquer tipo de produto. "O problema é que o setor produtivo é contra a aquisição". O diretor salienta que a compra de produtos de fora não trará qualquer reflexo negativo no mercado interno porque o preço do robusta é baseado na Bolsa de Valores de Londres, e também porque a matéria-prima interna não é suficiente.
De acordo com o último levantamento realizado pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) o Brasil deve produzir só em robusta, 12,33 milhões de sacas em 2014, contra 10,86 milhões de sacas produzidas no ano passado. Segundo dados da entidade, a recuperação da produtividade e o aumento na área de produção são os fatores que justificam o crescimento da produção do robusta na atual safra.
O Espírito Santo é o estado que ainda lidera a produção da variedade. Atualmente os capixabas destinam mais de 310 mil hectares de seu território agrícola para a variedade robusta, cuja participação no mercado nacional chega a ser superior a 70%.


