Indústria de brinquedos tem recordes
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quinta-feira, 27 de setembro de 2001
Agência Estado<br> De São Paulo 
A desaceleração da economia não atingiu, pelo menos até agora, o setor de brinquedos do País, que deve mostrar produção e faturamento recordes em 2001. ''Nunca vendemos tanto como este ano'', disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa.
A previsão de faturamento do setor até dezembro é de pouco mais de R$ 920 milhões, cerca de 8,5% a mais em comparação com o registrado em 2000, quando foi de R$ 845 milhões. O executivo informou ainda que o mercado deve encerrar este ano com demanda de 230 milhões de brinquedos, dos quais 195 milhões estarão sendo produzidos no Brasil.
A Abrinq também já está comemorando o crescimento das exportações, que deve chegar a pelo menos 38%, em comparação com o que foi embarcado para o exterior em 2000. De acordo com Batista da Costa, o Brasil deve exportar este no US$ 28 milhões, a maior parte destinado para o mercado norte-americano.
Apesar desse resultado, o setor vai amargar ainda um déficit considerável este ano, já que as estimativas de importações apontam para um volume de US$ 40 milhões, abaixo dos US$ 52 milhões importados em 2000. O presidente da Abrinq lamentou que a indústria de brinquedos ainda dependa de fatores sazonais, concentrados em datas como Natal e o Dia da Criança, para alavancar as suas vendas e produção.
''Do faturamento total, o Dia das Crianças é responsável por 35% e o Natal por outros 30%'', afirmou, durante a apresentação da agenda da Feira Internacional de Brinquedos, que será realizada ao final de janeiro do próximo ano em Nuremberg, na Alemanha.
''Estamos tentando equilibrar esse fenômeno, já que poucas pessoas conseguem absorver brinquedos no decorrer do ano'', explicou Gerd Bise, presidente da Feira Internacional de Brinquedos de Nuremberg, que esteve de passagem por São Paulo para fazer a apresentação do evento. Sobre a forte concorrência dos chineses, que produzem entre 50% e 60% dos brinquedos colocados atualmente no mercado em todo o mundo, Batista da Costa disse não estar preocupado.
''Não queremos competir com a China, que destrói tudo onde entra. A nossa aposta é em qualidade e em novidade, atendendo diversos nichos de mercado'', afirmou o executivo da Abrinq.
Tanto Batista da Costa como Bise criticaram a ''deslealdade'' chinesa. De acordo com o presidente da Feira de Nuremberg, o salário de um trabalhador em uma fábrica de brinquedos na China não passa de US$ 120 ao mês, com permanência na linha de produção durante seis dias por semana e dez horas por dia.


