Queda de 4,8% no quadrimestre de 1998 sobre os primeiros quatro meses do ano passado e retração de 1,8% no acumulado dos 12 meses até abril; tomando como base abril, o recuo é ainda mais acentuado sobre o mês anterior, com -15,2%, e pioram mais na comparação com o mesmo mês de 97, com -15,7%. Esses são os resultados da indústria de alimentos, divulgados ontem pelo economista da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Dênis Carvalho.
Carnes e derivados foram os campeões na queda de vendas no quadrimestre, recuando 8,8% sobre o período anterior. Café, açúcar e cereais ficaram quase no mesmo patamar, despencando 8,8%. A terceira grande queda ficou por conta do setor de laticínios, acusando retração de 3,4%.
Segundo uma fonte da Companhia União dos Refinadores de Açúcar e Café, a queda no consumo do café se explica por um forte motivo: no primeiro quadrimestre de 97 os preços estavam 100% abaixo dos praticados hoje. ‘‘Na Copersúcar as vendas caíram 3% neste período’’, afirma. A empresa detém uma fatia 20% neste setor.
O mercado de açúcar, explica, está praticamente estabilizado nos últimos anos. ‘‘Registramos uma ligeira queda, mas nada tão acentuado’’, completa.
Para contrabalançar, a mudança de hábitos do consumidor está realçando outros setores que até recentemente tinham um resultado tímido no mix. Os produtos semi-prontos e prontos para serem consumidos exibem resultados exuberantes. Os desidratados e supercongelados obtiveram um salto de 16,7%, seguido de bebidas não alcóolicas 11,9% e massas e confeitos 1,2%.
O aumento de 15% no consumo de massas secas surpreendeu a indústria. ‘‘A queda no preço de macarrão, de até 10%, coincidiu com a alta do arroz e feijão, favorecendo o setor’’, afirma Aluízio Quintanilha, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima).
Omar Assaf, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), confirma que o consumidor está, de fato, trocando o arroz e feijão pelo macarrão. ‘‘O feijão carioquinha subiu 240% de fevereiro até agora e o arroz mais 30%’’, o que justifica a queda deste tipo destes cereais.
Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) revelam que neste quadrimestre as vendas acumuladas registraram alta de 1,46%. Em abril, no entanto, caíram 9,68% sobre o mês anterior. Em comparação a idêntico período de 1997 também houve retração de 1,72%.

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