Indústria de alimentos faturou 6% mais
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quarta-feira, 01 de janeiro de 1997
Agência Folha de São Paulo 
A indústria de alimentos termina 1996 com produção cerca de 4,1% maior do que a de 1995. O faturamento cresceu, no período, 6%. Foi um bom ano para o setor, que cresceu mais do que o PIB (Produto Interno Bruto), diz Denis Ribeiro, do departamento econômico da Abia, associação presidida pelo empresário Edmundo Klotz, que reúne os fabricantes.
O faturamento do setor com as vendas de 96, informa, deve ficar em US$ 62,2 bilhões. Em 95 esse número foi de US$ 58,7 bilhões. O crescimento aproximado de 6% no faturamento da indústria alimentícia, diz Ribeiro, é explicado pelo aumento de custos das matérias-primas e também pela recuperação das margens de lucro.
Em 1992 e 1993, a produção também cresceu, porém o faturamento estava em queda. Só em 95 o setor começou a se recuperar - o faturamento aumentou 4,07%. Em 1996, a receita das empresas cresceu mais. Não dá para reclamar, diz Ribeiro.
Nesses dois anos e meio de Plano Real, continua ele, o mercado cresceu muito em escala, mas a competição se acirrou e provocou queda de preços. Esta é a guerra da economia estável. Para ganhar dinheiro, diz ele, os empresários têm agora que aumentar a escala de produção e trabalhar com lucros menores.
Para 1997, estima, os empresários do setor têm boas perspectivas. O Brasil está em fase de desenvolvimento auto-sustentado e pode crescer 7% ao ano durante os próximos dez anos. Só depende das reformas do governo. Para ele, o Brasil precisa sobretudo equilibrar as contas da Previdência, agilizar o processo de privatização e ainda fazer uma reforma tributária, na qual é preciso aumentar a base de arrecadação.
Também tende a se acentuar em 1997 a tendência, já verificada nos dois últimos anos, de internacionalização do setor de alimentos. Grandes grupos internacionais têm aumentado seus investimentos no País, atraídos pelo aumento da demanda de alimentos constatada depois da estabilidade monetária do Plano Real.
O ano de 1996 acabou sendo marcado, no setor de alimentos, pela realização de alguns negócios de alto valor, em que empresas nacionais passaram a ser controladas por multinacionais. Um exemplo foi o da Lacta, um dos três grandes fabricantes de chocolates (dividindo o mercado com Nestlé e Garato), dona de algumas das mais tradicionais marcas brasileiras, como Sonho de Valsa e Diamante Negro. Seu controle passou para o grupo americano Philip Morris, que está expandindo mundialmente seus negócios no setor de alimentos.
A expectativa dos analistas de investimentos é de que aumentem as fusões e incorporações nos segmentos de carnes e seus derivados e de leites.


