Indústria de alimentos cresceu 3,8%
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domingo, 02 de fevereiro de 1997
Maria Cristina Pfau Sucursal de São Paulo 
Arquivo FolhaPerfilA indústria de alimentos faturou US$ 63 bilhões em 96, empregando cerca de 770 mil pessoas em mais de 35 mil estabelecimentos A produção física de alimentos industrializados cresceu 3,8% em 1996. É um número razoável, se considerarmos que a variação do Produto Interno Bruto no ano ficou entre 3,1% e 3,2%, diz Denis Ribeiro, coordenador do Departamento de Economia da Abia - Associação Brasileira da Indústria de Alimentos.
Em 1995 o crescimento foi de 7,2% e em 1994, de 4,6%. Estes números refletiram, segundo Ribeiro, a melhora do poder aquisitivo da população com o fim do imposto inflacionário. Além disto, houve ganho na massa salarial devido a resíduos de acertos que incorporaram a inflação alta do passado.
No ano passado a variação da massa salarial foi equivalente à inflação, de aproximadamente 10%. Além disto, houve aumento do desemprego, a economia esteve desacelerada durante todo o primeiro semestre e a própria inadimplência tornou o consumidor mais cauteloso.
ViradaAs perspectivas de 1997 são mais favoráveis, de acordo com Ribeiro. A definição de um possível segundo mandato presidencial diminui incertezas e abre a pauta para as reformas econômicas, administrativas e privatização. Para Ribeiro, 1997 tem tudo para ser o ano da virada, desde que se equacionem problemas como os déficits comercial e fiscal.
O anúncio do governo de que promoverá políticas de recuperação para 15 setores da indústria, mais o agrobussines e a indústria automobilística, também reforça as expectativas otimistas, diz o economista.
Com os resultados do ano passado, a indústria de alimentos passou a faturar US$ 63 bilhões. O nível de emprego manteve-se estável, em aproximadamente 770 mil postos da trabalho. A indústria é composta por aproximadamente 35 mil estabelecimentos, 60 dos quais são grandes.
Caem importaçõesUma boa notícia, de acordo com Ribeiro, é a queda de 15% nos alimentos industrializados importados. Os gastos com importações ficaram em US$ 2,162 bilhões. Eles haviam sido de US$ 2,542 bilhões em 1995, 74% a mais que os US$ 1,462 bilhão importados no primeiro ano do Real.
Isto significaria que está começando a passar a febre dos importados. E também, para Ribeiro, que o consumidor brasileiro tem critérios e sabe escolher. As pessoas quiseram experimentar o que vinha de fora e depois fizeram sua escolha. Devem ter concluído que nem todo o importado é bom e também existem muitos produtos nacionais de qualidade.
A queda foi até mais acentuada nos três principais grupos de alimentos industrializados importados. As compras de bebidas alcoólicas caíram de US$ 730 milhões para US$ 549 milhões; de leite e laticínios, de US$ 610 milhões para US$ 436 milhões e de óleos vegetais e animais, de US$ 374 milhões para US$ 338 milhões.
ExportaçõesOs números de exportação ainda não estão fechados mas a tendência é de crescimento. De janeiro a setembro as exportações aumentaram 13,1% sobre 1995, ano em que elas chegaram a US$ 8,965 bilhões.
Em 1994 as exportações de alimentos industrializados haviam sido de US$ 7,648 milhões. As exportações de alimentos industrializados, informa Ribeiro, respondem por 20% do total das exportações brasileiras, ficando a agropecuária com pouco mais de 10%.
FinanciamentoDenis Ribeiro é um dos fundadores da CNR - Companhia Nacional de Registro, clearing ou câmara de compensação dos contratos agrícolas de venda a futuro. A CNR surgiu ano passado e pretende ser uma alternativa para o financiamento do agrobussines.
O primeiro ano foi difícil, conta, mas estamos trabalhando em coisas inovadoras, como seguros comuns para várias fazendas, que são negociados no mercado para levantar dinheiro. Fizemos um contrato destes com quatro usinas de álcool, que tem um tanque comum, pelo qual todas são responsáveis. Ele tem um seguro-mãe, e cada uma das usinas, uma apólice filhote.
A CNR quer aplicar o modelo para outras culturas que tenham produto similar e depósitos ou silos comuns, juntando vários participantes. No Paraná, a CNR atua através da carteira rural do Banestado.


