Indústria da construção vive momento difícil
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segunda-feira, 15 de agosto de 2005
Caroline Vicentini e <br> Erika Zanon 
Um dos setores que mais geram empregos também é um dos que mais sofrem com as oscilações políticas e econômicas. Os maiores problemas que o segmento da construção civil tem enfrentado nos últimos anos são a queda do poder aquisitivo e a redução da margem de lucro. O primeiro refere-se a uma situação macroeconômica, agravada na região pelas variações do agronegócio. Já o segundo parece ser uma dificuldade local.
Conforme os empresários do setor, o mercado em Londrina tem liquidez, porém trabalha com o valor do metro quadrado menor que em outros grandes centros como Curitiba e Maringá.
As considerações foram levantadas durante um debate promovido pela Folha sobre o mercado da construção civil em Londrina. O evento reuniu representantes de empresas locais: Luiz Carlos Pires, da Construtora Quadra, Célia Catussi, da Construtora Plaenge, Rodney Garcia Montosa, da Montosa Construtora, Antônio Galindo Moreno, da Construtora Galmo, Atsushi Yoshii, da Construtora A.Yoshii, José Carlos Salgueiro, da Artenge S/A Construções Civis, Junker de Assis Grassiotto, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção (Sinduscon), Carlos Eduardo Afosenca, presidente da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) e Marcos Alberto Rocha Augusto e Rogério Baduy Pain, gerentes de mercado da Caixa Econômica Federal.
Em Londrina os empreendimentos são comercializados quase que 100%. O problema do mercado na cidade é o preço, trabalhamos sem margem de lucro praticamente, afirmou Pires. Os debatedores apontaram que o valor do metro quadrado na cidade fica entre R$ 900 e R$ 1 mil, enquanto que em cidades como Curitiba esse preço pode chegar a R$ 1,4 mil. A gente não encontra no País o valor do metro quadrado inferior a R$ 1.250, reforçou Galindo.
Segundo Célia, as empresas têm dificuldade em aplicar um preço mais alto nos empreendimentos na cidade. Parece que está no inconsciente do comprador essa subvalorização, apontou. Ela explicou que um dos problemas pode ser a redução da renda. O próprio cliente traz isso pra gente, traz o retorno dessa difilcudade, não só pelo custo alto, mas pela capacidade dessa pessoa em adquirir um imóvel com preço mais alto, salientou.
Na opinião de Galindo o poder do compra do cidadão é o que obstrui o mercado. O comprador tenta adquirir um imóvel imcompatível com sua renda. Mercado existe, a necessidade é grande, a procura também, mas quando a pessoa te liga ela tem R$ 60 mil no bolso e está procurando por um negócio que ela não compra nem por R$ 150 mil, lastimou o empresário.
Os empresários acreditam que isso deve ser avaliado em um contexto macroeconômico, mas apontam que a região tem suas próprias limitações, como por exemplo ainda ser bastante dependende do agronegócio, o que reforça essa dificuldade. O setor é muito influenciado por questões climáticas, apoio governamental, valorização do câmbio, elevação dos custos da produção, entre outros. Nós somos predominantemente agrícolas, dependemos disso. Precisamos de mudanças na política do agronegócio para que seja agregado valor ao que é produzido, sugeriu Yoshii.
De acordo com o empresário, nenhum segmento vai bem se a produção agrícola estiver em crise. Então acho que precisa de um trabalho político e da conscientização da própria comunidade: as pessoas têm que gostar de Londrina, resgatar esse amor pela cidade, observou.


