Indústria da carne quer abate de animais
Curitiba - O setor produtivo do Paraná deverá decidir, na próxima segunda-feira, em reunião extraordinária do Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Estado do Paraná (Fundepec), sobre a posição que irá tomar diante dos governos federal e estadual a respeito da confirmação do primeiro foco de febre aftosa no Paraná pelo Ministério da Agricultura (Mapa). De acordo com o vice-presidente do Fundepec e integrante da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Wilson Thiessen, é necessária uma posição oficial da iniciativa privada para que os prejuízos no setor produtivo não sejam ainda maiores.
Inicialmente, os prejuízos foram estimados em R$ 100 milhões. ''Quem paga a conta dessa demora é a iniciativa privada. Não aguentamos mais. Os prejuízos são imensuráveis. Precisamos agora de uma agenda positiva para recuperar a credibilidade do setor dentro do Paraná, do Brasil e depois no exterior'', disse o empresário. O presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar, foi além. Apesar de acreditar que não exista febre aftosa no Paraná, ele não acredita que o Mapa altere a decisão já tomada na Norma Técnica 40 (que reconhece aftosa numa propriedade do Estado).
''Não vai haver mudança nisto. Por isso agora temos que pensar sobre os abates de forma técnica. Se não abatermos, ficaremos um ano e meio fora das exportações. Não tem como o Paraná ficar brigando judicialmente ou tecnicamente com o governo federal. Temos que acabar com essa novela de uma vez. Queremos recomeçar do zero. Para isso, o abate dos animais da fazenda é a melhor opção'', ponderou.
Os setores de suinocultura e avicultura também reclamaram dos prejuízos até agora por conta da suspeita (agora confirmada) de aftosa no Paraná. Até mesmo o terminal portuário frigorífico da Ponta do Félix, em Antonina, está contabilizando os prejuízos. Setenta e cinco por cento da carga de carnes congeladas programadas para embarque em novembro não puderam ser exportadas. O faturamento já teria sido reduzido em 30%.
De acordo com o assessor comercial dos terminais, Leocário Cunha, a suspeita sobre a aftosa levou vários países a embargar a compra de carne do Paraná.
(L.P. com colaboração de Fábio Galão)





