Abalada pelo câmbio desfavorável às exportações e benéfico à maior entrada de importados, além da desaceleração da economia nos meses finais de 2011, a indústria cresceu pouco no ano passado e fechou o período com expansão de apenas 0,3%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dezembro, o setor cresceu 0,9%. Em 2010, a alta havia sido de 10,5% na comparação com 2009, resultado inflado pela recuperação acelerada no pós-crise de 2008.
Em 2011, os principais resultados negativos ficaram com ramos mais sensíveis à concorrência com importados, como têxtil (-14,9%), calçados e artigos de couro (-10,4%), e outros produtos químicos (-2,1%).
Ramos que dependem mais do dinamismo do mercado interno ainda se beneficiaram do consumo acelerado no primeiro semestre e registraram taxas positivas, como veículos automotores (2,1%), outros equipamentos de transportes (8%), indústria extrativa (2,1%), minerais não metálicos (insumos para construção civil), com alta de 3,2%, produtos de metal (2,6%) e fumo (13,4).
O resultado da indústria por Estado ainda não foi divulgado. Mas a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) sabe que o índice de expansão será bem maior que a média nacional. ''Crescemos pouco mais de 5%'', afirma o economista da entidade, Roberto Zurcher.
Segundo ele, o crescimento da indústria paranaense se deve a três segmentos. ''As boas safras que o Paraná vem colhendo nos últimos anos, associadas à ausência de problemas fitossanitários, ajudaram a indústria alimentícia'', ressalta. Os outros dois segmentos foram a indústria automobilística e a de combustíveis, tanto pelo crescimento da produção da refinaria da Petrobras, como pela das usinas de álcool.
Acima da média
A indústria de implementos rodoviários experimentou um crescimento de 12% em 2011. Mas a Furgão Ibiporã cresceu muito mais: 28,2%. Segundo o diretor Comercial da empresa, David Willian Costa, uma reestruturação interna garantiu a excelente performance. ''Contratamos mais vendedores e abrimos novas representações'', explica.
A fábrica aumentou de 16% para 20% sua participação no mercado nacional de semirreboques frigorificados, atingindo o segundo lugar no ranking. ''Há muito tempo não havia tanta confiança neste mercado de caminhões e implementos. O governo vem mantendo boas condições de financiamento'', justifica. No segmento de carga frigorificada, segundo ele, o otimismo é maior tendo em vista a expansão da avicultura e da suinocultura.
Já a Aesa, fábrica de molas de Cambé, não cresceu em 2011, apesar de fornecer produtos para as implementadoras. ''A crise internacional pesou muito. O pessoal ficou mais receoso e pôs o pé no acelerador'', conta o diretor Comercial, André Bearzi.
Se o ano passado não foi de comemorações, 2012 começou muito bem na Aesa, segundo ele. ''Tivemos um crescimento de 10% em janeiro na comparação com janeiro de 2011'', afirma. (Com Agências)

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