Indústria cresce pelo 3º mês consecutivo
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quarta-feira, 13 de março de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro A produção industrial cresceu 1,3% em janeiro ante dezembro, consolidando a trajetória de recuperação após três meses consecutivos de expansão na comparação com mês anterior.
Os níveis de produção do setor retornaram aos indicadores de maio do ano passado, antes do racionamento energético, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números de janeiro apontam uma série de sinais de reação do ritmo da atividade industrial, disse o chefe do departamento de indústria, Silvio Sales.
O setor registrou também expansão acumulada de 4,3% entre outubro e janeiro. Outubro é considerado o último ponto de queda da atividade industrial e por isso foi definido como base de comparação.
Apesar dos bons sinais, Sales admitiu, entretanto, que a trajetória de queda persistiu de acordo com o indicador de últimos 12 meses, que registrava crescimento de 2,5% em novembro, passando para 1,4% em dezembro e 0,5% em janeiro.
Base elevada Mas o economista afirma que, nesse caso, o efeito base de comparação foi importante na definição dos números, já que os iguais períodos de ano anterior foram historicamente elevados na produção. O mesmo ocorreu, segundo ele, na queda de 1,3% na produção em janeiro deste ano ante janeiro de 2001.
Relativizamos essa queda porque é comparada ao auge da produção industrial, em janeiro do ano passado. Considerando a base de comparação muito elevada, essa redução engloba o ímpeto da produção no mesmo período do ano passado, ressaltou.
Energia A recuperação de janeiro trouxe outra novidade, que é a retomada mais consistente da produção dos segmentos com maior dependência do consumo de energia elétrica, diante da iminência do fim do racionamento.
Em relação a dezembro, os setores alto intensivos registraram aumento de produção de 5,6%, enquanto os médio intensivos cresceram 3,8%, ambos acima da média da produção geral (1,3%) no período. Os de baixa intensidade tiveram expansão menor, de 0,8%.
O segmento de bens intermediários, composto na maior parte por indústrias de alto consumo energético, liderou a expansão industrial em janeiro, com aumento de 3,5% ante dezembro, acima da média geral. A produção do segmento no período foi a mais elevada em nove meses.
Na avaliação de Sales, isso pode indicar uma expectativa mais otimista da indústria em relação à demanda interna de consumo, em consequência do início de trajetória de redução dos juros (e consequente melhoria do crédito) e até de um novo recorde de safra agrícola (que leva à produção de insumos e a processamento da colheita).
Sales lembrou que os intermediários têm significativo peso (60%) na produção industrial, incluindo segmentos como química, metalurgia, têxtil e papel e papelão. Parece que o setor está respondendo ao crescimento dos produtos finais (duráveis e não duráveis), com elevação das encomendas, disse.


