Indústria controla preço do frango
A alta de 9,3% é sustentada pelo milho, mas abatedouros regulam a produção para evitar queda de preços, como em 97
Vânia Casado
Depois de uma alta de 9,3% verificada nos primeiros quatro meses do ano, o preço do frango mantém-se em alta e não há perspectivas de queda em função da elevação no preço do milho, principal insumo da avicultura. Desde o ano passado, quando o aumento da oferta fez despencar o preço do frango no mercado interno, a indústria vem controlando a produção, para equilibrar oferta e demanda, segundo avaliou Guilherme Oscar Richter, técnico do Deral, departamento da Seab.
Em dezembro de 97, o quilo do frango vivo estabilizou em R$ 0,64 e esse ano evoluiu para R$ 0,66 em janeiro, R$ 0,71 em fevereiro e março. Atualmente, a cotação está estabilizada em R$ 0,70 o quilo, informou Guilherme Oscar Richter. Segundo o técnico, o principal fator que elevou o preço nesse início de ano foi o ajuste feito pelas principais empresas avícolas, reduzindo o alojamento de pintinhos em janeiro. ‘‘Como eles demoram 60 dias para serem abatidos, a oferta de carne de frango a partir de março é bem menor’’, acrescentou.
Apesar desse ajuste promovido pelas indústrias, outros fatores podem pressionar novamente os preços para baixo. Richter apontou a redução das exportações brasileiras de frango em função da queda de consumo nos países asiáticos. Para se ter uma idéia, em janeiro desse ano foram exportadas 41,3 mil t de carne de frango, contra 50,8 mil t comercializadas em dezembro de 1997, representando uma queda de 18,7% no mês. A expectativa com a redução das exportações é a colocação de maior quantidade de carne de frango no mercado.
Esse quadro poderá levar novamente as indústrias a promover um novo ajuste para baixo do alojamento mensal de frango, acredita Richter. ‘‘Caso contrário, a previsão é repetir a baixa performance, à exemplo do que ocorreu no ano passado.’’

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