Indústria contrata, mas paga menos
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sexta-feira, 22 de setembro de 2000
Agência Folha Do Rio 
O emprego industrial mostrou recuperação em julho, mas o total de salários pagos pelo setor no País voltou a cair, devido ao repique da inflação. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem, o nível de emprego na indústria brasileira subiu 1,4% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Trata-se do primeiro resultado positivo na década para julho, contra o mesmo mês do ano anterior, e do quarto aumento consecutivo do ano nas comparações mensais (mês contra igual mês). No acumulado do ano, a indústria apresentou um crescimento de 0,3% na quantidade de vagas abertas até junho esse indicador era de apenas 0,1%.
A coordenadora-adjunta da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Simone Saisse, diz que mesmo 0,3% de crescimento é um resultado importante. É relevante porque o quadro da década de 90 toda tem sido de queda permanente no emprego industrial.
Houve uma ligeira retração no nível do emprego industrial (-0,2%) em julho contra junho, mas tal resultado está influenciado pela sazonalidade, segundo a analista Mariana Rebouças, do IBGE. O repique da inflação em julho, puxada pelo aumento dos preços dos combustíveis, segundo as duas economistas consultadas, estancou o processo de recuperação do total de salários pagos pela indústria, indicador que crescia há quatro meses consecutivos. Houve uma queda de 1,1%, contra o mês anterior. Em doze meses, o total de salários reais pagos pela indústria ainda acumula uma baixa de 5% .
A inflação, que come o poder de compra da população, também está por trás da redução no salário médio real (-1%) de junho para julho. O economista Paulo Levy, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ressalta que, ao contrário do que aconteceu ano passado, a recuperação da produção industrial está vindo acompanhada do aumento no emprego, ainda que nem todos sejam formalizados.
Apesar de ser o mais formal dos setores, a indústria também tem lançado mão de contratações sem carteira assinada 81,5% no início da década de 90, contra, em média, 64,2% de janeiro a agosto deste ano.
A quantidade de empregados sem carteira dobrou na mesma comparação: passou de 10%, no início dos anos 90, para 20%, entre janeiro e agosto. O emprego industrial por região só caiu no Rio de Janeiro (-7,4%) e em Minas Gerais (-3,4%) julho versus julho. Em São Paulo, a alta foi de 1,5%.


