Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de agosto mostra que o emprego industrial continua em recuperação. Já o total de salários pagos pela indústria caiu pelo segundo mês consecutivo. A baixa na chamada massa salarial (total de salários), em julho, era explicada pelo repique inflacionário, mas agora tem mais a ver com salários médios registrados em carteira cada vez menores e contratações de mão-de-obra mais barata, segundo os analistas do IBGE.
Apesar do achatamento do salário, a renda total recebida por trabalhador – quando são somados salários, horas extras e toda espécie de gratificação e abono – revela um enfraquecimento do ritmo das quedas. O índice acumulado em 12 meses passou de -3,5%, em janeiro, para -1,5%, em julho.
O comportamento é muito similar nos indicadores sobre emprego e rendimentos na indústria acumulados em 12 meses. Mesmo estando negativos, eles mostram quedas cada vez menores, tendendo à mudança de sinal em breve. ‘‘O indicador em 12 meses é o mais sábio deles, porque mostra claramente uma tendência, uma direção, livre de pequenas oscilações’’, explicou o economista Paulo Gonzaga, do Departamento de Indústria do IBGE. O emprego industrial, por exemplo, estacionou em agosto (contra julho) devido a demissões típicas dessa época do ano na indústria do fumo, mas continua positivo em relação à agosto de 1999 (1,3%).
De setembro a agosto, a queda estava em 1,4% – a menor variação negativa desde dezembro de 1995 –, com perspectivas de mudar de sinal ainda este ano. A massa salarial, que caiu pelo segundo mês consecutivo (na comparação com o mês anterior), também melhorou pela ótica do mesmo indicador. Até julho, a baixa em 12 meses era de 5%; em agosto, diminuiu para -4,1%.
O total gasto pelos patrões com salários, horas extras e abonos pagos aos seus empregados (item folha de pagamento total) subiu 1,9% em julho, contra o mesmo mês do ano passado. Trata-se da melhor variação desde outubro de 1995 – possível principalmente devido à distribuição de lucros aos empregados, explicou Paulo Gonzaga.

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