Indústria começa ano pressionada por custos
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domingo, 24 de janeiro de 2010
Márcia De Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo As indústrias de eletrodomésticos, eletrônicos, eletroportáteis e veículos começaram o ano pressionadas por aumentos de custos. Os reajustes de preços negociados entre fornecedores de matérias-primas - como aço, cobre, resinas plásticas - e as empresas são de até 10% para este mês. Mas ainda os aumentos não apareceram claramente nos índices que medem a inflação no atacado.
Além da alta de preços de matérias-primas básicas, a indústria de transformação sente os efeitos do aumento do salário mínimo, que subiu 9,68% a partir do início do mês, e também da formação dos grandes conglomerados na produção de insumos industriais.
Antes mesmo do anúncio oficial da compra da Quattor pela Braskem, ocorrido na sexta-feira dando origem à oitava maior petroquímica do mundo e a primeira nas Américas, a indústria já atribuía os reajustes de preços entre 6% e 10% do polietileno e do polipropileno à formação desse grande monopólio na produção de resinas plásticas. Mundialmente, dizem fabricantes de bens duráveis, há ociosidade na indústria petroquímica e grande oferta de resinas. Portanto, essa condição de mercado não justificaria elevação de preço.
De acordo com duas grandes indústrias compradoras de resinas que não querem ser identificadas, o preço pedido da tonelada de polipropileno passou de R$ 3,5 mil em dezembro para R$ 3,7 mil este mês. Procuradas pela reportagem, a Quattor informou que não comentaria os aumentos. A diretoria da Braskem, em meio ao anúncio da compra da concorrente, não teve disponibilidade para atender a reportagem na sexta.
O polipropileno e o polietileno são matérias-primas presentes na fabricação da maioria dos bens duráveis e não duráveis. Do gabinete da TV ao para-choque de carro, passando pela embalagem do biscoito, todos esses itens contêm resinas. O presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, confirma que a montadora negocia com os fornecedores de polipropileno reajustes de preços nesse início de ano. Segundo ele, caso o preço aumente muito, a empresa não descarta a possibilidade de avaliar a importação da matéria-prima. Ele ressalta que, no caso do aço, a Volkswagen já usou a importação para conter reajuste de preço.
Segundo outra indústria consumidora de resina, importar o produto é economicamente inviável por causa do custo elevado. Um dos motivos do encarecimento das resinas compradas no exterior é o Imposto de Importação que está hoje em 14%.
Mesmo sem a redução do imposto, é possível importar aço 8% mais barato que o nacional, nas contas do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). A indústria de autopeças é outra que se diz pressionada com novos aumentos de preços em diversas matérias-primas.
As duas gigantes da siderurgia não confirmam os aumentos de preços do aço. Não existe nenhum aumento no preço do aço em janeiro, informa a Usiminas por meio de comunicado. A CSN diz, por meio de sua assessoria, que não comenta a questão. O Instituto Aço Brasil (IABr) alegou falta de agenda do porta-voz para esclarecer a pressão por aumentos.
Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), confirma que os seus associados sentem pressões por reajustes de preços neste início de ano em aço, resinas e cobre.
O preço do cobre, usado na maioria dos aparelhos elétricos, subiu 9% em reais nos últimos 30 dias, segundo o presidente da Associação Brasileira do Cobre (ABC), Sergio Aredes. Ele atribui o movimento à elevação dos preços no mercado internacional em razão do aumento da demanda da China e demais países asiáticos e da especulação que está ocorrendo no mercado de commodities. (Colaborou Cleide Silva)


