São Pau­lo – As in­dús­trias de ele­tro­do­més­ti­cos, ele­trô­ni­cos, ele­tro­por­tá­teis e veí­cu­los co­me­ça­ram o ano pres­sio­na­das por au­men­tos de cus­tos. Os rea­jus­tes de pre­ços ne­go­cia­dos en­tre for­ne­ce­do­res de ma­té­rias-pri­mas - co­mo aço, co­bre, re­si­nas plás­ti­cas - e as em­pre­sas são de até 10% pa­ra es­te mês. Mas ain­da os au­men­tos não apa­re­ce­ram cla­ra­men­te nos ín­di­ces que me­dem a in­fla­ção no ata­ca­do.
  ­Além da al­ta de pre­ços de ma­té­rias-pri­mas bá­si­cas, a in­dús­tria de trans­for­ma­ção sen­te os efei­tos do au­men­to do sa­lá­rio mí­ni­mo, que su­biu 9,68% a par­tir do iní­cio do mês, e tam­bém da for­ma­ção dos gran­des con­glo­me­ra­dos na pro­du­ção de in­su­mos in­dus­triais.
  An­tes mes­mo do anún­cio ofi­cial da com­pra da Quat­tor pe­la Bras­kem, ocor­ri­do na sex­ta-fei­ra dan­do ori­gem à oi­ta­va ­maior pe­tro­quí­mi­ca do mun­do e a pri­mei­ra nas Amé­ri­cas, a in­dús­tria já atri­buía os rea­jus­tes de pre­ços en­tre 6% e 10% do po­lie­ti­le­no e do po­li­pro­pi­le­no à for­ma­ção des­se gran­de mo­no­pó­lio na pro­du­ção de re­si­nas plás­ti­cas. Mun­dial­men­te, di­zem fa­bri­can­tes de ­bens du­rá­veis, há ocio­si­da­de na in­dús­tria pe­tro­quí­mi­ca e gran­de ofer­ta de re­si­nas. Por­tan­to, es­sa con­di­ção de mer­ca­do não jus­ti­fi­ca­ria ele­va­ção de pre­ço.
  De acor­do com ­duas gran­des in­dús­trias com­pra­do­ras de re­si­nas que não que­rem ser iden­ti­fi­ca­das, o pre­ço pe­di­do da to­ne­la­da de po­li­pro­pi­le­no pas­sou de R$ 3,5 mil em de­zem­bro pa­ra R$ 3,7 mil es­te mês. Pro­cu­ra­das pe­la re­por­ta­gem, a Quat­tor in­for­mou que não co­men­ta­ria os au­men­tos. A di­re­to­ria da Bras­kem, em ­meio ao anún­cio da com­pra da con­cor­ren­te, não te­ve dis­po­ni­bi­li­da­de pa­ra aten­der a re­por­ta­gem na sex­ta.
  O po­li­pro­pi­le­no e o po­lie­ti­le­no são ma­té­rias-pri­mas pre­sen­tes na fa­bri­ca­ção da maio­ria dos ­bens du­rá­veis e não du­rá­veis. Do ga­bi­ne­te da TV ao pa­ra-cho­que de car­ro, pas­san­do pe­la em­ba­la­gem do bis­coi­to, to­dos es­ses ­itens con­têm re­si­nas. O pre­si­den­te da Volks­wa­gen, Tho­mas ­Schmall, con­fir­ma que a mon­ta­do­ra ne­go­cia com os for­ne­ce­do­res de po­li­pro­pi­le­no rea­jus­tes de pre­ços nes­se iní­cio de ano. Se­gun­do ele, ca­so o pre­ço au­men­te mui­to, a em­pre­sa não des­car­ta a pos­si­bi­li­da­de de ava­liar a im­por­ta­ção da ma­té­ria-pri­ma. Ele res­sal­ta que, no ca­so do aço, a Volks­wa­gen já ­usou a im­por­ta­ção pa­ra con­ter rea­jus­te de pre­ço.
  Se­gun­do ou­tra in­dús­tria con­su­mi­do­ra de re­si­na, im­por­tar o pro­du­to é eco­no­mi­ca­men­te in­viá­vel por cau­sa do cus­to ele­va­do. Um dos mo­ti­vos do en­ca­re­ci­men­to das re­si­nas com­pra­das no ex­te­rior é o Im­pos­to de Im­por­ta­ção que es­tá ho­je em 14%.
  Mes­mo sem a re­du­ção do im­pos­to, é pos­sí­vel im­por­tar aço 8% ­mais ba­ra­to que o na­cio­nal, nas con­tas do Sin­di­ca­to Na­cio­nal da In­dús­tria de Com­po­nen­tes pa­ra Veí­cu­los Au­to­mo­to­res (Sin­di­pe­ças). A in­dús­tria de au­to­pe­ças é ou­tra que se diz pres­sio­na­da com no­vos au­men­tos de pre­ços em di­ver­sas ma­té­rias-pri­mas.
  As ­duas gi­gan­tes da si­de­rur­gia não con­fir­mam os au­men­tos de pre­ços do aço. ‘‘Não exis­te ne­nhum au­men­to no pre­ço do aço em ­janeiro’’, in­for­ma a Usi­mi­nas por ­meio de co­mu­ni­ca­do. A CSN diz, por ­meio de sua as­ses­so­ria, que não co­men­ta a ques­tão. O Ins­ti­tu­to Aço Bra­sil (­IABr) ale­gou fal­ta de agen­da do por­ta-voz pa­ra es­cla­re­cer a pres­são por au­men­tos.
  Lou­ri­val Ki­çu­la, pre­si­den­te da As­so­cia­ção Na­cio­nal de Fa­bri­can­tes de Pro­du­tos Ele­troe­le­trô­ni­cos (Ele­tros), con­fir­ma que os ­seus as­so­cia­dos sen­tem pres­sões por rea­jus­tes de pre­ços nes­te iní­cio de ano em aço, re­si­nas e co­bre.
  O pre­ço do co­bre, usa­do na maio­ria dos apa­re­lhos elé­tri­cos, su­biu 9% em ­reais nos úl­ti­mos 30 ­dias, se­gun­do o pre­si­den­te da As­so­cia­ção Bra­si­lei­ra do Co­bre (ABC), Ser­gio Are­des. Ele atri­bui o mo­vi­men­to à ele­va­ção dos pre­ços no mer­ca­do in­ter­na­cio­nal em ra­zão do au­men­to da de­man­da da Chi­na e de­mais paí­ses asiá­ti­cos e da es­pe­cu­la­ção que es­tá ocor­ren­do no mer­ca­do de com­mo­di­ties. (Co­la­bo­rou Clei­de Sil­va)

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