Indústria começa a dar sinais de recuperação
Os bons indicadores do mês de março - controle da inflação, aumento do superávit primário, crescimento das vendas de veículos e estabilidade no câmbio - não podem ainda ser considerados sinais concretos de recuperação da economia. Segundo analistas e empresários ligados ao setor industrial, eles mostram apenas que os cenários sofríveis traçados no início do ano, época da desvalorização cambial, acabaram não se realizando e, para alguns, a reforma tributária seria essencial a partir de agora.
A responsável pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Clarice Seibel salienta que o mês de março já nos mostrou recuperação em diversos segmentos, mas ainda não está dando ao empresário a visão de uma economia estável. A última pesquisa do índice de Nível de Atividade (INA) da Fiesp revelou melhora em alguns setores, como metalurgia, material de transporte, produtos têxteis e alimentos.
Outra pesquisa conjuntural feita pela entidade em março indicou aumento de vendas nos segmentos de autopeças e automobilística, máquinas, plásticos, indústria têxtil e farmacêutica. Mesmo assim, a visão geral do empresariado ainda é de um cenário incerto, ponderou a economista. Para ela, somente a certeza da aprovação da reforma tributária até o fim do ano poderia dar ao empresário brasileiro a sensação de que o pior já passou. A questão da competitividade na indústria está intrinsicamente ligada à reforma tributária, afirmou.
O analista econômico da Federação do Comércio do Estado, Fábio Pina entende que ainda não saímos da crise. É cedo para se confirmar tendências, e acrescentou: Os setores ainda vão demorar um pouco para apresentar uma recuperação concreta.
Para o presidente do Conselho Federal de Economia, Antônio Correa de Lacerda, a economia vai dar seus primeiros sinais de melhora apenas a partir do segundo semestre do ano. A recessão é inevitável, vamos fechar o ano com uma queda de 3% do PIB, mas o segundo semestre terá uma trajetória positiva, disse. Por enquanto, avaliou, alguns setores estão sentindo o refluxo da tendência de queda da taxa de juros e da valorização do real, como os ligados à infra-estrutura e bens populares.
Segundo dados da Lafis, empresa de informações para o mercado de capitais, todos os setores tiveram desempenho positivo nesse período, com exceção de companhias aéreas. De acordo com o analista Jorge Kotani, da Lafis, a desvalorização do dólar, os indicadores do mês de março e a tendência na queda dos juros foram os responsáveis por essa melhora.
O segmento de alimentos, bebidas e fumo, por sua vez, tiveram queda de 19,7% no ano, mas nos últimos 30 dias estes setores registraram alta de 10,8%. Até o setor de eletroeletrônicos, que sofreu com a restrição do crédito, melhorou seu desempenho, com valorização de 20,6% nos últimos 30 dias. No ano, houve uma baixa de 28,9%.
Grande parte dos setores que tiveram desempenho negativo em bolsa no ano estão ligados ao consumidor final, ou seja, são dependentes de crédito e da massa salarial, explicou Kotani. Os outros segmentos que formam a base da economia - telecomunicações, papel e celulose, petróleo, siderurgia, entre outros - tiveram resultados positivos e conseguiram melhorá-los nos últimos trinta dias. No caso de papel e celulose, a lucratividade no ano foi de 17,14%. Nos últimos 30 dias, a valorização atingiu 45%. No segmento de teles, a alta foi de 12 8% e de 30%, respectivamente.
Segundo os especialistas, as expectativas para o médio prazo são positivas. Até lá já terão sido eliminados três gargalos: o déficit em transações correntes, os juros e o nível de investimentos no País, disse Lacerda. No final do ano deveremos registrar crescimento equivalente a 3% ou 4% ao ano, acrescentou. O próximo Natal será comemorado pela indústria e comércio, depois de dois anos ruins em termos de demanda. Até os eletroeletrônicos estarão reagindo, afirmou Fábio Pina.Arquivo FolhaIndicadores positivosSetor têxtil é um dos que apresentam melhora na pesquisa da FiespAgência Estado





