Indústria cobrará royalties direto de agricultores
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segunda-feira, 14 de julho de 2003
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília A Monsanto vai cobrar royalties diretamente dos agricultores pela semente de soja geneticamente modificada. ''Esse é um procedimento normal no mundo todo'', afirmou o diretor de assuntos corporativos da empresa, Rodrigo Lopes Almeida. Ele esclareceu que os agricultores que multiplicarem as sementes serão cobrados depois.
''A Monsanto fará valer o direito de propriedade intelectual'', disse. Almeida lembrou que a mistura acidental entre sementes convencionais e as geneticamente modificadas não prejudicará os produtores. ''Há um limite de contaminação aceitável no mundo todo, em torno de 2% a 4%, dependendo da situação. Quando a contaminação for pequena, obviamente não será cobrado'', esclareceu.
Almeida disse que o valor dos royalties cobrados pela Monsanto dos produtores brasileiros permitirá que eles tenham alguma vantagem financeira. ''Sem benefício financeiro final o produtor não vai optar pela tecnológica'', resumiu, sem informar qual será esse valor.
Ele esclareceu que o gene das sementes transgênicas não é responsável pelo aumento da produtividade das lavouras. No caso da soja, por exemplo, o gene dá tolerância a um herbicida. ''A produtividade é dada pela cultivar, que pode ser da Embrapa ou de outra empresa nacional'', explicou completou.
Questionado se a liberação da transgenia no País poderia resultar em monopólio privado no mercado de sementes, ele respondeu que não. ''Há uma competição muito forte entre as empresas'', afirmou, citando quatro instituições que trabalham com essa tecnologia, além da Embrapa: Iapar, Fatesp, Coopersucar e Unicamp. Ele participou de seminário organizado pela Casa Civil e pelos ministérios da Agricultura e Desenvolvimento Agrário.


