Indústria busca lucro olímpico
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domingo, 08 de agosto de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A Olimpíada de Atenas levou a indústria de alimentos e bebidas a aproveitar a chance de explorar o evento. As iniciativas mais comuns se traduzem no patrocínio de equipes, promoções para os consumidores e lançamento de edições especiais de produtos. É o caso da Coca-Cola do Brasil.
Patrocinadora mundial dos Jogos Olímpicos e da Corrida de Revezamento da Tocha, a companhia firmou no ano passado uma parceria com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e assumiu todas as despesas de três confederações até o fim deste ano. A de judô, por exemplo, receberá R$ 800 mil. A de triatlo, R$ 400 mil, enquanto a de ginástica olímpica ficará com a brasileira, R$ 600 mil, totalizando R$ 1,8 milhão no ano.
A Coca-Cola se prontificou ainda a premiar os melhores atletas brasileiros durante a Olimpíada, levando em conta a conquista de medalhas, a quebra de recordes e a classificação entre os oito melhores em cada categoria. Se os brasileiros obtiverem os mesmos resultados dos Jogos de Sydney, em 2000, a gigante de bebidas deve destinar R$ 2,1 bilhões em premiações. Para o consumidor final, a Coca-Cola também lançou uma promoção que prevê a troca de provas de compra por minigarrafas do refrigerante, cujos rótulos mencionam esportes olímpicos.
''Reforçamos neste ano o nosso compromisso de promover o esporte mundial com esta ação direta junto ao COB'', afirma a diretora de Marketing da companhia, Claudia Colaferro. ''Com essa promoção, que atinge os jovens, queremos engajar neste espírito olímpico esses nossos consumidores que tiveram pouco acesso a ele em 2000, por terem pouca idade na época.''
A fabricante de embalagens Tetra Pak, que também patrocina atletas olímpicos, aproveita a proximidade do Jogos de Atenas para promover a campanha ''Pratique Leite. Longa Vida para você''. Lançada nos Jogos Pan-Americanos e estrelada por campeões como o nadador Gustavo Borges, a ginasta Daniele Hypólito, o velocista Edson Ribeiro e a judoca Vânia Ishii, entre outros, a campanha visa fortalecer o conceito de que o leite é um alimento saudável, consumido por esportistas de nível e que, portanto, deve ser incorporado aos hábitos de consumo dos brasileiros de todas as faixas etárias.
''Mais de 50% de nossas vendas são para o setor de leite e por isso resolvemos criar essa campanha que visa fazer dele uma bebida competitiva na faixa de 12 a 40 anos, em que normalmente ele é pouco consumido'', comenta o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Tetra Pak, Eduardo Eisler.
Outra multinacional que está apostando no retorno que a Olimpíada pode proporcionar é a Nestlé Brasil. A empresa é patrocinadora das transmissões dos jogos no canais de tevê Globo, Globonews, Bandeirantes, BandNews e BandSports e ainda promete anúncios em revistas e jornais esportivos. Ao lado de sua logomarca, aparecerá a da linha Ninho, de leites em pó.
''Participar de um evento esportivo tem tudo a ver com a nossa nova campanha de marketing, que vai explorar o que faz bem ao consumidor'', comenta o diretor de Comunicação da Nestlé, Mario Castelar. ''Além disso, queremos mostrar que a companhia está junto com os brasileiros desde o nascimento, desde o ninho.''
A PepsiCo foi menos ousada. Para aproveitar o mote Olimpíada, a companhia resolveu lançar uma edição especial do seu achocolatado Toddyinho. Nas embalagens há alusões aos jogos.


