Brasília - A crise no mercado financeiro já teve impactos na indústria brasileira no terceiro trimestre, aponta a pesquisa Sondagem Industrial divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar de ter havido um aumento na produção industrial e no número de empregados na comparação com o segundo trimestre, a perspectivas para os próximos seis meses são pessimistas.
No terceiro trimestre, a produção alcançou 57,8 pontos (em uma escala de 0 a 100, onde acima de 50 pontos indica crescimento), 1,3 pontos acima do registrado no trimestre anterior. O emprego também subiu, passando de 53,6 pontos no segundo trimestre para 54,4 pontos no terceiro. A utilização da capacidade instalada alcançou 78%, contra 77% do trimestre anterior.
Nas grandes empresas, porém, já há estoque acima do planejado. O indicador de estoques para as grandes empresas ficou em 55,3 pontos - índices acima dos 50 pontos indicam estoques acima do planejado. Para as médias empresas o número foi de 50,5 e para as pequenas 48,4.
''Isso mostra que as grandes empresas erraram (na previsão de estoques) e não conseguiram vender o que era planejado. Provavelmente as grandes empresas terão uma redução de ritmo de produção'', disse o gerente de Pesquisas da CNI, Renato da Fonseca.
A satisfação das grandes empresas com a margem de lucro e com a situação financeira também caiu. Para as grandes empresas, a satisfação com a margem de lucro caiu de 48 pontos no segundo trimestre para 45,4 no terceiro. Para as médias e pequenas, porém, o indicador subiu, passando de 43,5 pontos para 44 pontos e de 42,2 a 43,1 respectivamente.
Outro fator registrado foi o crescimento na dificuldade de acesso ao crédito. O indicador que representa a facilidade de conseguir crédito no mercado caiu, passando de 46,4 pontos no segundo trimestre para 42,6 pontos no terceiro.
Os pequenos e médios empresários reclamam principalmente da elevada carga tributária, competição acirrada no mercado, alto custo de matérias primas e taxas de juro elevadas, nesta ordem. Já para os grandes, os principais problemas são elevada carga tributária, taxa de câmbio e alto custo de matéria prima.
Praticamente todos os indicadores de expectativa do empresário para o futuro caíram. A pesquisa mostra que, em outubro, a expectativa para a demanda estava em 53,5 (acima de 50 indica expectativa positiva).
Na pesquisa anterior, em julho, esse índice era de 61,2. Em relação ao número de empregados para os próximos 6 meses, o índice é de 51,1 pontos --em julho era de 59,4. Em relação às exportações, o indicador se mantém praticamente estável, passando de 48,1 pontos em julho para 48,4 pontos em outubro.
A pesquisa ouviu as opiniões de 1.443 empresários entre 30 de setembro e 20 de outubro.

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