Curitiba - A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) pretende realizar mobilizações contra o processo de desindustrialização que o setor vem sofrendo no País. A ideia é fazer dois atos políticos nas próximas semanas para pressionar o governo a adotar ações favoráveis à indústria. No dia 27 de março, representantes do setor produtivo e sindicalistas vão a Brasília onde será lançada a Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Nacional, na Câmara dos Deputados. A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) apoia o movimento e já anunciou que pretende fazer um ato regional ainda em abril.
Outra mobilização programada para o dia 4 de abril deve reunir cerca de 100 mil pessoas em frente à Assembleia Legislativa, na capital paulista. Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, os problemas que hoje mais contribuem para a perda da competividade da indústria são o câmbio alto, o preço da energia elétrica e as importações que concorrem com os produtos nacionais de forma desigual. ''O Brasil está vivendo um processo de desindustrialização. O governo precisa tomar medidas urgentes para reverter essa situação. Precisamos de uma ruptura com o atual modelo de gestão econômica'', afirmou.
O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, disse que no Paraná vai acontecer um movimento no dia 3 de abril em parceria com federações de trabalhadores, centrais sindicais, a Associação da Indústria de Máquinas (Abimac), a Associação da Indústria Eletroeletrônica (Abinee), Sindimetal e Sindicato do Vestuário. A ideia é fechar as fábricas por meia hora a uma hora.
O movimento foi intitulado ''Indústria Brasileira, Grito de Alerta: em Defesa da Produção e do Emprego''. Segundo ele, os setores que hoje são mais prejudicados pela desindustrialização são eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, a cadeia automotiva, têxtil e vestuário, louças, pisos cerâmicos e alimentos. Segundo ele, alguns setores também foram obrigados a cortar funcionários em função disso.
No dia 10 de maio, como resultado desta mobilização, será entregue um documento para a presidente Dilma Rousseff com os principais pontos que a indústria paranaense defende como uma política industrial para melhorar a competitividade do produto brasileiro, as reformas tributária e fiscal, a redução dos juros e uma política cambial.
Na última segunda-feira, a Fiep divulgou o resultado das vendas industriais que apontaram um baixo desempenho no início deste ano. O setor teve queda de 21,68% nas vendas em relação a dezembro de 2011 e de 16,04% na comparação com janeiro do ano passado. Para Campagnolo, este resultado é um sinal de alerta.
Segundo ele, as vendas de janeiro refletem a queda na produção agrícola, que afeta diretamente a indústria do Paraná. No entanto, ele acredita que é possível recuperar este desempenho negativo ao longo de 2012. No ano passado, as vendas industriais paranaenses cresceram 7% e, para este ano, o presidente da Fiep, projeta um crescimento de 8% sobre 2011. ''Temos fôlego para recuperar o resultado de janeiro'', afirmou.

Imagem ilustrativa da imagem Indústria brasileira ''dá um grito de alerta''
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