No ano passado, a indústria brasileira cresceu 1,3% e registrou sua menor participação no Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos 13 anos, com uma fatia de 24,9%. As contratações no setor também decresceram e o cenário não parece estar se revertendo nesse início de ano. A falta de competitividade da indústria nacional, muito associada ao seu processo recente de expansão, é apontada como causa da atual conjuntura pelo gerente executivo de Inovação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) nacional, Jefferson Gomes, que esteve ontem em Londrina para a abertura da 10ª Eletrometalcon- Feira Eletromecânica e Construção Civil.
"A economia aqueceu e, numa estrutura que não tem por fundamento o desenvolvimento de empresas de base nacional, consequentemente aumentam as taxas de importação", explica Gomes. O gerente executivo aponta outras falhas do sistema que afetam a competitividade das empresas, como leis pouco regulamentadas e poucas políticas públicas para tecnologia e inovação.
Inovação, aliás, é o centro da questão para o gerente executivo do Senai, que aponta três pilares para a criação de um produto inovador: capital de conhecimento (ou pessoas com "pedigree" de conhecimento), associativismo e profissionalização, com a formação de redes. "Todos os grandes produtos do mundo são consequência desses pilares. É preciso entender as demandas que acontecem ao seu redor", destaca Gomes.
Segundo o gerente executivo, a partir do momento em que as ideias inovadoras surgem elas necessitam de ambientes igualmente inovadores, de uma estrutura de equipamentos e de gestão, além de um forte capital relacional. "No Brasil, desenvolvemos o capital relacional, fazemos a política, mas na hora da ação, como não tem estrutural nem humano, não acontece", acredita.
Para incentivar empresas, ideias e processos inovadores, o Senai está inaugurando em várias cidades do País o Instituto Senai, com investimentos próprios e do BNDES. O projeto já existe em 86 cidades e oferece laboratórios para que as empresas desenvolvam produtos inovadores. A sede de Londrina já poderia estar pronta, no entanto, o alvará de construção da obra está travado. Segundo informações da Secretaria Municipal de Obras, o pedido foi registrado no dia 17 de agosto de 2012, e a demora de quase dois anos não é praxe, mas está ocorrendo diante de problemas com a documentação.

Previsão
Questionado sobre o que podemos esperar do desempenho da indústria este ano, o gerente de Inovação e Tecnologia do Senai diz que não se permite ser pessimista. "Temos mais de 20 indústrias automotivas, uma indústria aeronáutica forte; conseguimos passar de importadores de leite na década de 1970 para exportadores mundiais de carne; conseguimos ser o maior produtor de grãos do planeta aumentando, em 20 anos, apenas 15% de área plantada", destaca.
Por isso, Gomes acredita que a indústria tende a crescer pouco, mas não irá "definhar". "Não existe possibilidade disso porque o planeta depende da alimentação e da produção de minério desse País", ressalta. Para Gomes, a possibilidade de que os ambientes inovadores criados pelo Senai prosperem, traz boas expectativas para o próximo ano.

mockup