Indústria avícola apresenta queda
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sábado, 11 de fevereiro de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A indústria avícola paranaense, líder da atividade no País, vai desacelerar a produção. O setor que conta com 21,72% de participação na produção nacional e segundo no ranking das exportações de frango de corte, com 27,63% das vendas em volume, está apresentando tendência de queda na produção desde o início deste ano. No mês de fevereiro, a queda se acentuou e a redução deverá ser entre 10% a 15% no total da produção paranaense.
A média mensal da produção paranaense no ano passado foi de 84,69 milhões de cabeça mês. O preço para o consumidor final não deve ser alterado e permanecerá entre R$ 1,50 e R$ 1,60.
O ajuste foi necessário por causa da queda nas exportações de aves de corte, causado por uma retração do consumo internacional e também por dificuldades no escoamento da produção, afirma o presidente do Sindicato da Indústria Avícola do Paraná, Domingos Martins. ''A sazonalidade desta época do ano, assim como problemas internos decorrentes da greve dos fiscais agropecuários acabaram desestabilizando a demanda e os embarques internacionais'', explicou. Segundo ele, em função da febre aftosa, a Rússia - terceiro maior comprador do Brasil - não está importando nada. Em janeiro, o Brasil deixou de exportar 60 mil toneladas de frango e o Paraná 18 mil toneladas.
Para o presidente da Associação dos Abatedouros e Indústria Avícola do Paraná (Avipar), Alfredo Kaefer, a valorização do real frente ao dólar, e o excesso de tributação têm contribuído para diminuir a competitividade da indústria brasileira como um todo. ''Este movimento de retração na produção também está sendo seguido pelos principais estados produtores do país, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, o que mostra que existe a necessidade de reorganizar nossa atividade'', afirma.
Na avaliação de Domingos Martins, a redução na produção é positiva porque vai garantir o equilíbrio no mercado interno. Para o presidente do Sindiavipar, este ajuste é fundamental para evitar o direcionamento da produção, antes destinada às exportações, para o mercado interno. ''Essa situação certamente provocaria o desequilíbrio entre oferta e demanda, representando prejuízos ''.
Martins destaca ainda que esse ajuste, aliado ao aumento do salário-mínimo previsto para o mês de maio, devem impulsionar o crescimento do consumo per capta de frango de corte, que hoje está em 38 quilos. Esse resultado já reflete um avanço sobre o ano passado, quando o consumo era 34 quilos per capta.


